O caminho, a verdade e a vida - Comentário LES

João 1:18

Ao analisar a descrição feita por João sobre Seu ministério, com relativa facilidade notaremos o esforço, tanto de Cristo como do idoso apóstolo, de imprimir na mente de seu ouvintes e leitores a clara afirmação da divindade de Jesus. Afim de reafirmar Sua identidade e missão, Jesus fez referência direta à poderosa declaração divina de identidade registrada no Antigo Testamento, onde o Senhor afirma ser o Deus Eterno por meio das palavras "Eu Sou". No evangelho, por sua vez, Jesus usará sete vezes essa mesma declaração. Eu Sou:
  1. o pão da vida (João 6:35, 41, 48 e 51), 
  2. a luz do mundo (João 8:12, 9:5), 
  3. a porta (João 10:7 e 9),  
  4. o bom Pastor (João 10:11 e 14), 
  5. a ressurreição e a vida (João 11:25), 
  6. o caminho, a verdade e a vida (João 14:6) e, 
  7. a videira verdadeira (João 15:1 e 5).
No entanto, a mais poderosa declaração de identidade e missão de Jesus se encontra em João 13:13: "Eu sou, Senhor e Mestre". Isso porque se Jesus não for Senhor e Mestre da minha vida eu mesmo serei "senhor" para mim mesmo. Impedindo assim, que Ele seja Senhor da minha vida. E, caso Ele não seja Senhor da minha vida, também não será o pão,  a luz, a porta, o pastor, a ressurreição, o caminho,  a verdade, a vida ou a videira. Do mesmo modo que, se não for meu  Mestre, também não será meu professor, estando impossibilitado de me ensinar por meio de Seu exemplo.

Objetivo: Analisar o propósito do discurso de despedida de Jesus desde sua introdução em João 13, avançando para Sua declaração de "Eu Sou" no capítulo 14.

A. Eu lhe dei o exemplo - O discurso de despedida de Jesus se estende deste João 13 até a capítulo 17 de João. E por meio dele, encontramos orientações claras quanto ao futuro dos discípulos e da fé cristã. 
  • Nele, encontramos um padrão semelhante aos discursos de Jacó,  Moisés e Davi. Com destaque ao discurso de Moisés em Deuteronômio 18:15 a 19. Isso porque em ambos, há forte ênfase no substituto. 
    • No caso de Moisés, o substituto seria o próprio Jesus.
    • No caso de Jesus o substituto seria o próprio Deus Espírito Santo.
  • Ficando, em especial, a primeira parte deste momento preparatório de despedida, bem como o discursos e as ações de Jesus, o capítulo 13 coloca em relevo dois aspectos: as palavras e as ações de Jesus.
  1. As palavras: João toma o devido cuidado de registrar, a consciência de Jesus quanto ao momento.
    1. Enquanto o autor deixa claro que o inimigo já havia tomado a decisão de Judas para trair Jesus. Na sequência, como que por contraste, o autor afirma que Jesus tinha a plena e inequívoca certeza de que o Pai confiara "tudo" às suas mãos. 
      1. Tal declaração revela a posição de "autoridade e domínio" que Jesus, conscientemente, ocupava. 
      2. Jesus sabia quem era e qual posição ocupava dia te de Deus. Aposição de Senhor.
  2. As ações: Por ter plena certeza de Sua posição como Senhor, Jesus toma uma atitude constrangedora para os discípulos. Assumindo a posição de servo, Ele toma água e uma toalha e passa a lavar os pés dos discípulos. 
    1. O próprio Cristo afirma que tal atitude não seria compreensível aos disparos no início (v. 7).
    2. Mas em seguida Ele mesmo explica (v.13 e 14).
      1. Sendo Ele Senhor e Mestre, Jesus veio para Salvar e ensinar por meio do exemplo. 
      2. A ação de Jesus revela que autoridade não pode, em momento algum, ser substituído pela humildade. 
      3. Assim como Ele fez, deveria os discípulos fazer e, uns aos outros.
      4. Isso porque na Bíblia, o maior (Deus) sempre servirá (salvará) o menor,  fim de ensinar o menor a servir e adorar o maior (Deus). 
  • Logo, a declaração de Jesus no verso 13 a 15 está conectada a declaração do verso 3. Por ter em Suas mãos todas as coisas, Jesus é Senhor e Mestre. Por isso, pode plenamente ser nosso Salvador e Professor, ensinado o que fazer e como devemos agir. 
B. Certamente voltarei - Ao analisar a declaração/promessa feita por Jesus em João 14:1 a 3, precisamos analisar, a priore, o contexto em que essa declaração foi apresentada.
  • Se observar os o capítulo 13, notaremos que em duas ocasiões Jesus afirma: "para onde eu vou, vocês não podem ir" (vs. 33 e 36).
    • Certamente essas palavras, que apontavam para a sequência dos eventos: morte, ressurreição e ascensão, não foram compreendidas pelos discípulos.
    • Motivo pelo qual, certamente, fez com que ficassem ainda mais apreensivos e angustiados.
  • Assim, a declaração do capítulo 14 inicia com o pedido de que eles (os discípulos), não ficassem angustiados ou confusos. Pelo contrário, eles deveriam manter a mente focada na Casa do Pai. 
    • Local para onde Jesus iria e, onde Ele mesmo, prepararia lugar para que seus discípulos pudessem estar junto dele.
      • Assim, o capítulo 14:1 a 6, aponta para onde Jesus iria bem como, o caminho que os levaria até Ele.
  • Em que estava baseada a promessa feita por Jesus? A base que fundamenta a promessa feita por Jesus é nada menos do que a Sua própria Palavra. 
  • Deste modo, o fundamento para a certeza da veracidade e do cumprimento da promessa, bem como o consolo  conforto que capacita os discípulos a suportar a separação e despedida é a fé em Deus e em Jesus (v. 1).
C. Eu Sou o caminho - Ao se preparar para a despedida, Jesus, como já vimos, introduz o tema afirmando que "para onde pretendia ir os discípulos não o poderiam seguir". Até esse momento os discípulos não sabem, com clareza, para onde Ele irá e nem mesmo o caminho que será utilizado.
  • No entanto, nos versos 1 a 3, do capítulo 14, Jesus menciona a "Casa do Pai" como o lugar para onde Ele irá.
  • E, no verso 4 afirma que os discípulos já sabem o "Caminho" para este local.
    • É essa afirmação que provoca a pergunta de Tomé: Não sabemos para onde irá nem o Caminho?
      • Respondendo Jesus declara ser Ele mesmo o caminho e o lugar é a presença e pessoas de Deus o Pai.
      • O leitor atento lembrará da fala de João (evangelista) ao mencionar no início do capítulo 13:1 a seguinte fala: "sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar desse mundo para o Pai,". 
        • Essa fala responde a pergunta de Tomé. Isso porque o autor já havia mencionado o local para onde Jesus iria. Agora os discípulos também sabem o local e o meio.
D. Eu Sou a verdade - Os discípulos e nos, leitores, somos confortados com a mais importante e, ao mesmo tempo, intrigante declaração de Jesus: Eu Sou a verdade. A verdade sobre o que?
  • Pelo texto sagrado pode-se reconhecer que Jesus:
  1. É a verdade;
  2. Apresenta a verdade e;
  3. Leva á verdade.
  • Contudo, persiste a pergunta: Verdade sobre o que?
    • Jesus é a verdade:
    1. Sobre quem é Deus;
    2. Sobre quem nós somos e;
    3. Sobre o que precisamos.
      1. Ao revelar a verdade de quem Deus é, Jesus revela a natureza (caráter) de Deus e Sua vontade para o ser humano.
      2. Ao revelar a verdade de quem somos nós, Jesus revela a natureza (caráter) humana e nossa condição (escravos do pecado [mentira/pecado] cf. João 8:32).
      3. Ao revelar a verdade de quem Deus é e, de quem nós somos, Jesus nos revela a verdade sobre o que precisamos: voltar para o Senhor.
  • Logo, em Jesus temos a verdade:
    1. De quem somos;
    2. De onde viemos e;
    3. Para onde vamos.
  • Somente, unicamente através de Jesus, a verdade, temos acesso a verdadeira revelação de Deus, distorcida e manchada pelas mentirosas declarações do inimigo. E, a verdade sobre como nos libertar da mentira/erro e sermos salvas de nosso vício do pecado.
    • Nossa presente condição e a possibilidade de transformação se encontram na verdade revelado por Jesus sobre Si mesmo e sobre a natureza e poder de Deus.
E. As Escrituras e a verdade - Se Jesus é a verdade, devemos nos perguntar: Uma vez que Jesus já não está fisicamente entre nós para não ensinar sobre a verdade, como fizeram quando esteve aqui, onde temos acesso as verdades reveladas por Jesus? Tais verdades estão contidas nas Sagrada Escrituras - na Bíblia.
  • Jesus, bem como os apóstolos após Ele, apontaram para a Bíblia como fonte de revelação adicional da verdade.
  • Embora Jesus seja a máxima revelação de toda a verdade, Ele nos deixou, por meio do Espírito Santo, o texto sagrado onde encontramos rica fonte de conhecimento e acesso a verdade.
    • Por meio dela chegamos ao conhecimento de Jesus e, por meio dele,ao conhecimento de Deus e Sua vontade para nossa vida (cf. João 5:32 e 8:39).
Destaque:
A. "Mostra-nos o Pai" revela o desejo dos discípulos de ter acesso a Deus o Pai. Por essa razão a resposta de Jesus foi simples e direta, pois "acesso" a Deus eles tinham por "meio" de Jesus. Isso porque Jesus não só é a expressão exata do ser de Deus, mas também, foi aquele designado a "revelar" o Pai. A ideia de revelação está associada a palavra "exegeomai", palavra grega que significa "explicar, interpretar ou expor". Somados ao fato de que João 1:18 afirma que Jesus veio ao mundo a fim de revelar quem é Deus. Chegasse a conclusão de que quanto mais conhecemos a Jesus, maior é nossa compreensão de quem é Deus, pois ambos são um.

Aplicação:
A. As ações de Jesus registradas em João 13 revelam que "tudo o que Jesus fez é exemplo". Sendo assim, em tudo, devemos agir como Jesus agiu.

Pr Vítor de Oliveira Ribeiro - Sagrada Família - MMN - USeB 

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