A Páscoa - Comentário LES
Êxodo 12:26 e 27
Como já mencionado anteriormente, aquilo que hoje classificamos, puramente, como pragas, o livro de Êxodo apresenta como intervenções divinas com caráter de oportunidade e graça. Isso porque, cada uma deles fora enviada seguindo um processo que envolvia: anuncio e intervenção. Essa sequencia teve como objetivo primeiro, comunicar a vontade de Deus; segundo, oferecer oportunidade de ouvir a voz divina e se arrepender e; por fim, ser aplicada a intervenção divina. Essa terceira e última parte do processo para um grupo era visto como punição (grupo que não atendeu aos apelos divinos), mas para um segundo grupo (aqueles que ouviram e aceitaram os apelos divinos), foi visto como atos de libertação. Essa dupla opção, punição ou libertação, é a base da última intervenção divina sobre o Egito. A décima praga, para aqueles que compreenderam quem é o Senhor e aceitaram se submeter a sua vontade, foi o maior ato já visto, ate então, de intervenção divina em favor de um povo específico. Contudo, para aqueles que se mantiveram na atitude de desobediência e desrespeito, foi o maior ato de de intervenção divina em julgar e condenar uma nação. Ato que ecoaria no futuro, como mostra os versos 26 e 27 do capítulo 12. Nestes versos alguns elementos destacam-se, como por exemplo: "quando teus filhos te perguntarem", isso aponta que no futuro os descendentes de Israel, não somente continuariam praticando o rito da Páscoa, mas também, continuaria sendo um evento que despertaria interesse e admiração. "respondam", indica que os israelitas seriam responsáveis por transmitir ou ensinar a seus filhos sobre o evento e sua relevância na história do mundo. "É o sacrifício da Páscoa ao Senhor", refere-se ao ato ou ação divino-humano. Isso porque, o sacrifício aqui mencionado se refere ao ato divino de Se oferecer como sacrifício substituto em lugar dos primogênitos, não só dos hebreus, mas de todo o mundo. Ao mesmo tempo que, refere-se ao sacrifício oferecido pelos hebreus como forma de reposta de gratidão á graciosa ação divina de se entregar para salvar. Por fim, a frase, "matou os egípcios e livrou as nossas casas", coloca em relevo os aspectos ligados a escolha e opção, morte ou salvação. Elementos fundamentais na aplicação espiritual da cerimônia da Páscoa.
Objetivo: Revelar a graça divina que oferece oportunidade de escolha frente o imperativo divino.
A. Mais uma praga - O estudante atento do livro de Êxodo já notou que a décima praga é, também, o décimo e último ato de intervenção divino no intuito de oferecer ao rei e ao povo, oportunidade de graça e salvação. Assim, estamos agora diante da última chance.
- Como afirma Amós 3:7, Deus não fará nada antes de revelar á seus profetas.
- Está não é somente uma declaração divina sobre sua bondade e cumplicidade para com seus servos, os profetas. Está é uma declaração instrutiva do processo utilizado por Deus no que diz respeito a revelação profética.
- Isso porque, deixa claro que:
- Deus decide o que fará;
- Deus revela o que fará;
- Deus espera que o revelado seja comunicado;
- Deus aguarda a decisão ou reação humana e;
- Deus age.
- Esse processo de revelação divino-humano está presente em vários relatos bíblicos, como em Êxodo (5 a 11), bem como em muitos outros.
- E, uma implicação fica aparente: Deus decide e revela, o profeta, necessariamente, precisa comunicar (pregar/anunciar).
- Moisés compreendeu e seguiu o processo divino.
- A advertência foi apresentada ao rei.
- No entanto, o texto revela, verso 8 do capítulo 11, que Moisés, a pesar da advertência, sabia que o rei havia decido colocar todo o seu povo em risco de ser punido pela ação divina.
B. A Páscoa - De todas as festas celebradas pelos israelitas, pessoalmente, nenhuma é tão grandiosa em significados espirituais como a Páscoa. Cada detalhe, instrução e significado fundamenta a e exemplifica a essência do cristianismo. Eclipsar esta cerimônia da vida cristã é eliminar um elemento atemporal responsável por manter viva a memoria e a expectativa (esperança) cristã.
- Por essa razão, Deus dedicou um porção significativa de tempo, não para instruir sobre o saída do povo do Egito, mas sim, sobre como deveriam participar da cerimônia da Páscoa.
- Esse ponto é de extrema relevância, visto que, a atenção e preocupação divina não está na saída do povo, mas sim na importância da ceia e de como "cada pessoa" deveria compreender e participar dela.
- Noutras palavras, fica evidente que o foco não está somente no resultado da celebração, mas no significado dela.
- E, o foco, é adorar o Deus que se entrega para libertar.
- É neste sentido que os versos 26 e 27 do capítulo 12, ressalta que esse rito ou cerimônia deveria ser ensinado aos filhos e filhas de Israel.
- Porque há na Páscoa uma essência ATEMPORAL. Isso significa que, em todos os tempos, desde Êxodo 12 até a volta de Jesus, a Páscoa/Ceia pascal, faz lembrar e ao mesmo tempo, apontará para o sacrifício de Cristo em favor dos que creem e, estão se preparando para a prometida libertação completo deste mundo de pecado.
- Assim como Ele libertou, Ele liberta e ainda libertará.
C. Pesach - Em hebraico, Pesach significa "passar sobre" indicando o que o Senhor faria ao passar sobre o Egito. Na ocasião, Deus passaria sobre as casas dos israelitas, com o intuito de poupa-los da condenação. Condenando somente as casas onde o sinal não houvesse sido aplicado.
- Dois aspectos são destacados:
- Obediência e;
- O sangue.
- Em se tratando de obediência, destaca-se a fé, elemento essencial para o perdão e a salvação.
- E, por consequente, onde houvesse obediência (fé), a fé seria demonstrada por meio do sinal, o sangue nos umbrais.
- Este sangue, além de apontar para o sacrifício expiatório de Cristo, anteriormente prometido em Gênesis 3:15, evidencia que o livramento e a salvação não foi obtida por aquilo que os hebreus realizaram mas sim, por meio daquilo que Deus realizou em favor deles.
- Ficando claro que, a proteção obtida naquela ocasião foi providenciada por meio da fé no sangue do cordeiro.
- Outro elemento presente na celebração ritual que merece destaque é a ausência do fermento no pão.
- O fermento era símbolo de pecado, logo, retirá-lo da refeição simbolizava que os participantes deveriam tomar a decisão de lançar fora o pecado. E, ao saírem do Egito, o pecado não os deveria acompanhar.
- Ao mesmo tempo, o pão sem fermento representa a Cristo, que veio ao mundo para uma vida sem pecado e, veio com o intuito de tirar o pecado do mundo.
D. Passando a tocha - Mais uma vez a ideia de atemporalidade do evento da Páscoa é ressaltado no momento que Deus orienta que esse evento deveria ser ensinado aos descendentes.
- A ideia do que Deus realizou pelo povo deveria ser a matéria a ser relembrada e estudada pelas futuras gerações.
- Com isso, o passado seria relembrado, mas acima de tudo, o Deus interventor seria honrado.
- A fé nesse Deus seria perpetuada e a confiança nele fortalecida para o presente e para o futuro.
E. O juízo divino - Êxodo 22 e 23 destaca o fato de que Deus havia coloca diante do rei uma opção: deixe o meu filho primogênito ir, em troca não, não punirei o seu filho primogênito. Por mais trágica que possa parecer essa declaração, essa era a realidade final. E, assim foi.
- Diante da obstinação e resistência do rei o juízo de Deus foi então aplicado sobre o reino.
- Todos os primogênitos foram afetados.
- Uns com o livramento. Outros com a condenação.
- Já mencionamos anteriormente:
- Deus decide o que fará;
- Deus revela o que fará;
- Deus espera que o revelado seja comunicado;
- Deus aguarda a decisão ou reação humana e;
- Deus age.
- O Senhor, em uma só ação, revelou graça, misericórdia e justiça.
- Graça ao oferecer oportunidade de mudança;
- Misericórdia ao dar oportunidade de escolha e;
- Justiça ao salvar o arrependido e punir o desobediente.
- Infelizmente, por vezes, não somente os desobediente é afeta por suas ações e escolhas, outros também são alcançados pelas consequências.
Destaque:
A. O capítulo 11:8, revela a perplexidade do líder hebreu ao perceber que sua mensagem de advertência divina ao rei do Egito só serviu para colocar em relevo uma única verdade: Deus não mudaria sua decisão e, o rei também não. Um misto de tristeza, perplexidade e comoção preencheu o coração de Moisés, como ocorreria com qualquer pessoa incumbida de apresentar tão grande advertência. E, tendo a certeza de que a mesma não seria atendida. Ao contrário de Jonas que ao apresentar sua mensagem aguardou que os ninivitas não se arrependessem e por consequência, esperou para assistir a destruição. Moisés deixou a presença do rei triste, pois essa seria a última vez que veria o rosto do monarca egípcio.
Na noite da Páscoa, os israelitas passaram pela porta como escravos, ao entrar para a ceia e, saíram pela porta como libertos. Uma referência clara a Jesus como a parta que nos oferece salvação.
Aplicação:
A. O episódio da libertação divina, revela que, em muitos casos, a decisão de um homem coloca a perder a vida de milhares. Foi assim no Egito mas tem sido assim hoje. Com uma única decisão, milhares de pessoas perdem a vida em conflitos e guerras pela mundo. Por causa de uma decisão unilateral de pessoas que, muitas vezes, estão em busca de seus próprios interesses.
Pr. Vítor de Oliveira Ribeiro - Jaíba - MMN - USeB
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