O pão e a água da vida - Comentário LES
Êxodo 16:28-30
O capítulo 15 de Êxodo é o prenúncio do que será a jornada dos israelitas durante a peregrinação do deserto. O capítulo inicia com um dos mais abrangentes hinos de triunfo entoado à Deus. Como facilmente se percebe, o intuito do louvor é engradecer o nome do Senhor que operou, em favor do povo grande livramento. O protagonismo divino é colocado em relevo a fim de deixar claro que foram os atos graciosos de Deus que os livrou, por completo, da dominação egípcia. No entanto, embora o início do capítulo tenha Deus como destaque positivo, o final dele revela, revela aquele que assumirá o protagonismo: o ser humano. Tão logo compreenderam que não mais estavam no Egito, o povo entendeu a realidade de seu novo status social. Contudo, a liberdade requer um comportamento diferente do qual era praticado na escravidão. Levando-os a compreender que agora precisariam aprender um novo modo de vida. Uma vida de fé, obediência e, principalmente, dependência de Deus. Os versos 22 a 27, colocam o povo diante de sua primeira "prova" (cf. v.25). Como era de se esperar, o deserto apresentou ao povo seu cartão de apresentação: a escassez de água. Diante desta realidade, estava diante deles duas opções: (1) buscar em Deus a solução ou, (2) murmurar contra Moisés e contra Deus. Como o decorrer da história de peregrinação revelará, o povo escolheu a segunda opção.
Objetivo: Desenvolver a unidade e a relação de confiança e cooperação com Deus.
A. Águas amargas - No processo ou jornada de libertação empreendida por Deus em favor do povo escolhido o primeiro passo é também, o último: desenvolver a confiança em Deus.
- É fato que confiar não é uma ação que ocorre de repente, de modo isolado. Pelo contrário, confiança é uma parte de um processo que envolve, antes de tudo contato e relacionamento.
- Muitos acreditam que da primeira á última praga, o tempo decorrido tenham sido de aproximadamente um ano. Período suficiente para que o Senhor se revelasse ao povo, mas insuficiente para transformar o modo de pensar do povo.
- Este fora liberto do Egito e esperava que, agora, Deus cumprisse a promessa feita sem imprevistos ou obstáculos.
- Para o povo, Deus os havia convidado a sair, agora deveria providenciar tudo para que a viagem fosse isenta de imprevistos ou dificuldades.
- O aparente sentimento era de que eles (o povo), não havia manifestado interesse em sair. Quem os havia convencido era Deus. Logo, este deveria ser responsabilizar pela jornada.
- No entanto, se esqueceram de que o agir e o cuidado de Deus não está em eliminar as dificuldades do caminho, mas sim em providenciar solução, socorro e livramento a medida que as dificuldades virem.
- Ficando claro que, a presença de Deus não significa ausência de lutas. Mas, evidencia, que é o Senhor quem lutará por nós.
- Logo no início da caminhada a confiança exigida deste o início do processo de libertação se mostrou necessária.
- O deserto privou o povo daquilo que no Egito havia em abundância: água.
- E, depois de três dias de caminhada a única fonte encontrada era amarga.
- Seria um prenuncio de toda a jornada? Para muitos sim, por isso murmuraram contra Moisés.
- A ação praticada pelo povo, que irá se repetir noutros momentos, foi de murmurar. O verbo hebraico é "luwn", que pode ser traduzido como "alojar-se, permanecer ou resistir".
- Parece estranho, diante desta primeira dificuldade o povo ter tomada a atitude de alojar-se no deserto.
- Contudo, a ideia primária deste verbo não esta na ênfase de alojar-se e sim de "parar" (https://biblehub.com/hebrew/3885.htm).
- Levando em consideração que o povo havia iniciado uma "jornada pelo deserto", o ato de parar ou alojar-se remete a ideia de se negar a continuar a jornada.
- Noutras palavras, sem água, não há jornada. Então o povo decidiu interromper a jornada, contrariando os propósitos de Deus.
- No entanto, Deus não fora pego de surpresa e, providenciou água ao povo.
- Entretanto, o povo precisava compreender que o desejo de Deus era, desde antes da libertação da escravidão, libertá-los da falta de fé e confiança no Senhor.
- Oferecer liberdade física ao povo nunca foi o objetivo fim do Senhor.
- O processo de libertação, era também um processo para livrá-los do coração resistente e endurecido para confiar.
- Por fim, devemos destacar que esta ocasião, revela a primeira ocasião em que Deus ira "provar" a fé de seu povo.
- O verso 25 destacando que ali, Deus deu estatutos e um ordenança ao povo, bem como, os provou.
- Deus já havia oferecido provas suficientes para que o povo pudesse confiar em sua provisão e favor. O episódio da falta de água serviu para provar se entre o povo, com a falta de água, faltaria também a fé no Senhor.
- Para o desagrado divino, ficou notório a falta de fé.
B. Codornizes e maná - Há algo interessante a ser analisado na transição entre o capítulo 15 e o 16. O ponto que chama a atenção é a mudança de cenário e, os resultados disso.
- Após vencerem a falta de água potável (versos 22-26), o autor destaca, no verso 27, que o povo chegou a Elim, local onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras.
- A referência a doze fontes de água revelam que Deus não somente resolveu o problema da ausência de água. Mas também, proveu uma fonte para cada uma das tribos de Israel.
- Depois da prova enfrentada em Mara, agora sombra e água fresca.
- No entanto, o objetivo da jornada não era permanecer em Elim, mas sim, seguir para o deserto de Sim. E ali, quarenta e cinco dias após deixarem o Egito, o povo murmurou novamente.
- A mudança de cenário (água e sombra), levou a mudança de comportamento e humor.
- A queixa agora, era a a falta de alimento. Fato este que proveu ao Senhor nova oportunidade de "provar" seu povo (cf. 16:4)
- Ainda que inconscientemente, o povo oferece a Deus a oportunidade de experimentá-los em duas áreas importantes:
- Na confiança da provisão e;
- Na fidelidade a observância da santidade do dia de sábado.
- A provisão do maná remete aos princípios básicos da mordomia cristã.
- Isso porque, nos lembra de que tudo pertence e é provisão divina. É dele que nos vem o sustento e o socorro.
- Ao mesmo tempo, que reforça a ideia de que, Ele é o dono e provedor do tempo.
- Nos oferecendo tempo para trabalhar (buscar o sustento que Ele providencia), e nos oferece o tempo para adorar e descansar.
C. Água da rocha - O capítulo 17 seria um cópia fiel do capítulo anterior caso não fosse destacado a gravidade das palavras do povo.
- Assim como em Mara, o povo mais um vem se encontra num deserto sem água e, mais uma vez irão murmurar contra Moisés.
- No entanto, a queixa, agora, não será dirigida somente contra o líder, mas também, contra Deus.
- Em sua revolta, o povo questionou se de fato Deus estaria no meio deles (v.7).
- O nome dado por Moisés ao local aponta para a gravidade do erro cometido.
- Massá, significa "provocação", e Meribá, significa "reclamação".
- O povo havia provocado o Senhor.
D. Jetro - A visita de Jetro, sogro de Moisés, no capitulo 18, revela uma mudança importante na vida pessoal de Moisés, bem como, no modo como o povo seria conduzido a partir de agora.
- Se, de fato, o processo de libertação do povo durou cerca de um ano, isso significa que Moisés já estava fora de casa a muito tempo.
- Com a libertação concluída, Jetro trouxe para junto do idoso líder sua esposa e seus filhos.
- Dois pontos devem ser destacados aqui:
- A reunião familiar - Moisés precisava da presença de sua família junto dele e;
- A gestão do tempo - Moisés precisaria de gerir melhor o tempo para ter tempo para sua família.
- Deus o havia escolhido para liderar o povo, mas sem deixar de lado as necessidades de sua própria casa.
- Para resolver essa situação, o Senhor se utilizou de Jetro para aconselhar Moisés na forma de melhor atender as demandas do povo.
- Moisés aceitou o conselho e nomeou auxiliares (juízes do povo).
E. O pão e a água da vida - 1 Coríntios 10:11 revela que, hoje, devemos tomar a história do povo de Deus na jornada para a terra prometida como lição a fim de aprender o que eles aprenderam e evitar os erros que cometeram.
- Logo, conhecer tais relatos e histórias deve ser nossa responsabilidade e aprender com elas, deve ser nossa dever.
- Não somente para sermos bem sucedidos onde eles erraram mas, para permitir que o Senhor desenvolva em nós o que faltou a eles: fé e obediência.
- Fé para crer na presença e provisão divina e;
- Obediência para ouvir, crer, aprender e praticar a vontade de Deus.
Destaque:
A. Ao que devemos considerar ao analisar o processo de libertação dos israelitas é que o "processo" não foi finalizado em Êxodo 14, com a vitória sobre o exército do rei nas águas do Mar Vermelho. Na verdade esse processo iniciado no capítulo 3 se estenderá ao longa da história bíblica, culminando com o retorno de Cristo pela segunda vez a este mundo. Isso porque, o processo de libertação requer mudança. Não se trata, simplesmente, de libertar o povo do um sistema opressor, mas sim de, educá-lo num sistema redentor. Tal sistema, requer, daquele que nele é inserido, a disposição de aceitar ser transformado e moldado com base num novo modelo. Como veremos, nesta nova fase, ter tirado o povo do Egito, terá sido o menor dos desafios. O verdadeiro e doloroso processo, será tirar o Egito de dentro deles.
Aplicação:
A. Os primeiros passos requer maior confiança. Sem isso, toda e qualquer jornada mostra-se impossível de ser empreendida. Logo, o primeiro passo para o povo liberto era se libertar da incredulidade e desconfiança em relação a Deus. No entanto, o mesmo sentimento que houve no rei do Egito, mostrou-se presente também entre o povo, um coração endurecido para ouvir e obedecer a vontade de Deus.
Pr. Vítor de Oliveira Ribeiro - Jaíba - MMN - USeB
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