A travessia do Mar Vermelho - Comentário LES

Êxodo 14:13 e 14

A narrativa que relata os eventos apresentados entre o fina do capítulo 12 ao 15 marca  desfecho de um processo iniciado no capítulo 3 do livro de Êxodo. E, como já mencionado anteriormente, o final da narrativa da saída do povo deixa ainda mais claro a ligação entre o titulo hebraico do livro com o que ocorreu com o povo de Israel na trajetória da libertação. Isso porque, levando em consideração que o titulo em hebraico se refira a "os nomes", devemos lembrar que o livro tem, também, o propósito de "revelar" o nome (caráter), de Deus a seus povo, bem como, ao rei do Egito e a todos o mundo. Sem dúvida alguma, o modo como o Senhor se revelou à Moisés, ao rei, ao povo e as nações ligadas ao Egito, se tornou o marco do processo de revelação divina que levou a todos não somente a conhecê-Lo, mas sobre tudo, a crer Nele. Isso fica claro quando analisamos o capítulo 14, onde toda a trama apresentada nos versos 1 a 9 revelam como Deus agiu para levar o rei a tomar a decisão de perseguir o povo, apertando-os as margens do mar Vermelho. A perseguição empreendida pelo rei bem como a intervenção final e miraculosa de Deus fez com que o povo compreendesse que não encontrariam salvação por suas próprias forças, levando-os a clamar e confiar unicamente na intervenção divina. Com isso, após os atos do rei, bem como os atos de Deus, o verso 30 e 31 terminam com a seguinte declaração: Assim, o Senhor livrou Israel, naquele dia, da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. E viu Israel o grande poder que o Senhor exerceu contra os egípcios; e o povo temeu o Senhor e confiou no Senhor e em Moisés, seu servo. Note que os versos destacam a ação de Deus, o que os israelitas viram, e a reação do povo: eles temeram o Senhor e confiaram Nele e em Moises. A base do que será necessário para que o povo seja habilitado a percorrer o trajeto entre o mar e a terra prometida. 

Objetivo: Apresentar as ações derradeiras de Deus em favor do povo no processo de libertação.

A. Vão e adorem - A última praga enviado sobre o o Egito não atingiu a terra, nem as águas, nem os animas ou campo, mas atingiu, o que de mais importante havia ali, a vida humana e continuidade da família real.

  • A obstinação do rei fez com que a morte viesse sobre todo o reino e chegasse ao trono do Egito.
  • A reação humana a ação divina trouxe morte e ceifou a vida do filho de Faraó. 
    • Infelizmente essa terrível consequência já havia sido prenunciada no início da intervenção de Deus sobre o reino. No entanto, a dureza do coração humano permitiu que o desfecho fosse esse.
  • Derrotado e humilhado o rei permitiu que o povo fosse para o deserto.
    • A humilhação e derrota infligida sobre o Egito, não foi somente a vitória de Deus contra o rei, foi também, uma vitória contra a idolatria egípcia e contra aquele que se considerava um "deus", o próprio rei.
      • Vencido, o rei não permitiu a saída dos israelitas, ele consentiu, uma vez que não havia mais nada a ser feito.
        • O pedido do rei para que Deus pudesse abençoá-lo, revela sua compreensão de que havia sido derrotado por um Deus maior e mais poderoso que ele mesmo e seus deuses.
          • Afim de que o processo de humilhação e derrota pudesse ser ainda mais marcante, como um reino vencedor, Israel saiu do Egito levando consigo os despojos. Ato praticado pelos reinos vencedores após conquistar o reino vencido (cf. Gênesis 15:14).

B. A consagração do primogênito - Antes de sair, definitivamente, do Egito, Deus tirou tempo para apresentar ao povo mais uma orientação, a consagração dos primogênitos.

  • Esse ato, repleto de significados, tinha como objetivo fazer o povo se lembrar do ato gracioso de Deus. Quando os filhos do israelitas foram poupados da morte, por meio do sangue do cordeiro.
  • Assim, a consagração do primogênito era um sinal de que, ao serem poupados, foram dedicados ao Senhor.
    • O sangue do cordeiro morto apontava para o sangue de Cristo que seria derramado na cruz. 
      • Sangue que "comprou" a libertação dos primogênitos.
        • Uma vez tendo sido comprados, os primogênitos, a partir de agora, pertencem à Deus. E, a Ele devem ser sacrificados.
          • A fim de que não houve o sacrifício, os mesmos deveriam ser "resgatados", por meio de uma oferta de sacrifício (Êxodo 13:12 a 15).
  • A ideia de consagração do Primogênito está ligada a propriedade de Deus sobre todas as coisas, mas também, aponta para o fato da consagração de Jesus como o primogênito Filho de Deus que entregou a vida pela libertação de seu povo. 
    • Essa ideia se conecta as palavras de Deus registradas em Êxodo 5:22, "Israel é o meu filho, meu primogênito, [...]". 
      • Deus estava declarando que entregaria Seu Único Filho, Jesus, para proporcionar libertação a todos os primogênitos de Israel e do Egito, caso Sua vontade fosse atendida. 
        • Caso não, o Filho de Deus entregaria a vida para libertar, mas os filhos do Egito seriam punidos.

C. Atravessando o Mar Vermelho - Assim como Deus havia orientado o povo quando a forma de participar da cerimônia da Páscoa, também orientou quanto a forma de saírem do Egito. Do Egito o povo de Deus deveria sair como um Exército.

  • Essa informação, quanto a formação do povo parece simples mas é bastante significativa. Pois demonstra que um exército de israelitas estava deixando o Egito.
    • Noutras palavras, não se tratava de uma porção de escravos fugitivo, mas sim um organizado exército que, após receber a vitória conquistada pelo Senhor, deixa o Egito, o reino derrotado, rumo a terra prometida por Deus.
      • Não se trata mais de um aglomerado de pessoas perdidas, mas de um exército cujo o general é o Senhor.
  • Êxodo 13:19 ainda destaca o precursor da esperança. 
    • O verso destaca aquele que mesmo antes de toda a escravidão experimentada pelo povo, morrerá na certeza da libertação. 
      • José não somente abriu as portas para sua família no Egito, mas morreu crendo que Deus cumpriria a promessa feita a Abraão, oferecendo ao povo oportunidade de libertação.
        • Deste modo, uma vez que Deus cumpriu a promessa feita aos patriarcas, Moisés cumpriu a promessa feita à José. E, do Egito retirou seus ossos.
  • O capítulo 13 ainda coloca em relevo outro aspecto importante sobre a saída do povo: Deus estava a frente de seu exército.
    • O verso 21 destaca que "O Senhor ia adiante deles". 
      • A presença marcante de Deus era percebida tanto durante o dia, como durante a noite.
        • E, o verso 22 reforça a ideia ao destacar que "Nunca se apartou do povo".
          • Os último versos do capítulo 13 servem como introdução e anúncio de enredo para o capítulo 14, visto que o autor deixa claro que Deus estava com o povo. Isso será, especialmente, importante, uma vez que no decorrer da narrativa o povo será perseguido e enfrentará ainda uma última prova.

D. Avançando pela fé - A vantagem do estudo da história é que podemos ver o final desde o início. Infelizmente essa não era uma vantagem para o povo que estava diante do Mar Vermelho.

  • O Faraó havia deixado o Egito decidido a trazer de volta o povo de Deus. Uma cena, certamente, bastante amedrontadora.
    • O povo conhecia a dureza e crueldade já afligida sobre o povo durante o período de escravidão. Logo, o reencontro com o rei não seria um momento agradável.
      • Literalmente o povo se encontrava entre o conhecido (rei), e o desconhecido (Deus).
        • Embora Deus houvesse se revelado ao povo desde o início do processo de libertação, o medo e temor experimentado por eles atesta que ainda precisavam conhecer melhor o Senhor. Pois somente assim poderiam confiar inteiramente Nele.
          • Ate aqui, a certeza que o povo trazia consigo era da morte (cf. Êxodo 14:11).
  • É neste momento que, divinamente inspirado, Moisés convidará o povo a experimentar algo novo e surpreendente: a fé.
    1. "Não temas" (v.13a);
      1. O verso 22 do capítulo 13 já havia deixado anunciado que Deus não se apartaria de seu povo. Logo, não deveria haver medo ou receio, o Senhor estava com eles.
    2. "Fiquem firmes" (v.13b);
      1. A fala de Moisés aqui é a mesma apresentada por diversos comandantes no campo de batalha aos soldados que estão prestes a combater o inimigo. 
        1. É como se estivesse convocando os saldados a deixarem suas posições, mas se manterem firmes, cada um em seu posto, diante do inimigo.
          1. A ideia principal era que nenhum deles desanimassem ou recuassem, dando as costas para Deus e se rendendo ao inimigo.
    3. "Vejam o livramento que o Senhor lhes fará" (v.13c) e;
      1. O verso 13 esta intimamente ligado ao verso 30 e 31 do mesmo capítulo. 
        1. Isso porque ambos os textos apresentam forte ênfase em "ver". 
          1. O verso 13 destaca o verbo "ver" 3 vezes. Já os versos 30 e 31, destacam o mesmo verbo 2 vezes.
          2. Destacando que o Moisés prometeu no verso 13, se cumpriu nos versos 30 e 31.
          3. E, não só se cumpriu, mas também serviu para despertar no povo temor e confiança, em Deus e em Moisés.
            1. Aquilo que é o objetivo de Deus desde o início do processo de libertação. Fazer com que o povo pudesse crer e temer o Deus que se revelou para salvar. 
            2. A revelação e os atos poderosos de Deus em favor do povo alcançou o objetivo.
    4. "O Senhor lutará por vocês" (v.14).
      1. As palavras do líder deixou claro que este último ato de livramento não seria do povo, como assim não foi durante todo o processo de libertação. 
      2. Assim como Deus havia agido em favor do povo, mas uma vez, por um ato de "graça", o Senhor interviria e faria por eles o que eles mesmo não teriam condições de fazer. 
      3. Agora o povo estava pronto para crer que Deus lutou e continuaria lutando em favor deles.
        1. O povo pode ver, o que os egípcios também viram "o Senhor peleja por eles" (cf. v.25).
  • A ordem de Deus foi clara: "Siga em frente".

E. O cântico de Moisés e Miriã - O capítulo 15 encerra  a narrativa iniciada no capítulo 3, descrevendo o modo como o povo liberto exaltou e adorou o Senhor.

  • Neste cântico o autor toma o cuidado de alguns aspectos dobre Deus:
  1. Os versos 1-3, declaram quem é Deus;
  2. Os versos 4-10, declaram o que Deus fez;
  3. Os versos 11-16, declaram que não há ninguém como Deus e;
  4. Os versos 17 e 18, declaram os propósitos de Deus.
  • Cada uma das partes do cântico apontam única e exclusivamente para o Senhor, a fonte primeira e última da graça salvadora que operou na libertação do povo.
  • Tal cântico é também destacado em Apocalipse 15:2-4, quando é dito que os salvos o cantarão, juntamente com o cântico do Cordeiro.
    • Em apocalipse a última parte do verso 4 destaca que todas as nações virão ao Senhor e reconhecerão seus atos de justiça praticado sobre a Terra.
      • Atos de justiça que também foram manifestos sobre o reino do Egito, por ocasião da libertação de Israel.
        • Tais atos, novamente serão praticados no final da historia deste mundo. Levando os fiéis a louvarem a Deus, mais uma vez, pela salvação final.

Destaque:

A. Desde o início do processo de libertação do povo Deus buscou deixar claro que o livramento seria um ato da graça divina em favor do povo a quem Deus havia feito a promessa. Desde o início Deus se revelou a fim de convidar o povo a confiar. Contudo, para que haja confiança é necessário que haja conhecimento. Por esta razão o Senhor revelou seus atos por meio de sinais, milagres e os atos de juízo praticados contra os deus do Egito. Cada intervenção teve o objetivo de revelar ao povo de Israel quem era o Senhor. Ao mesmo tempo que, objetivava a persuasão do rei para permitir que o povo fosse liberto. Tudo com a finalidade de imprimir na mente humana o favor de Deus para com o povo. Deixando evidente que por eles mesmo, nunca alcançariam a libertação daquele contexto de pecado. Do mesmo modo, devemos aprender a mesma lição. De modo algum, por nós mesmos, podemos obter a libertação do pecado por nossas próprias forças. Unicamente pela intervenção divina alcançaremos a vitória e a libertação definitiva.

Aplicação:

A. Os versos 30 e 31 do capítulo 14, são o resumo do que foi a intervenção de Deus em favor de seu povo. Ambos os versos apresentam o que Deus fez e qual era o objetivo: despertar em seu povo temor e confiança. Para nós hoje, o relato do Êxodo, não tem outro objetivo se não o mesmo, fazer com que o povo de Deus que vive nos últimos dias possa crer que Deus fara o mesmo por nós. Frente as últimas perseguições que serão impostas sobre os fiéis, Deus mais uma vez intervirá e por amor a seu povo, operará grande livramento. Por mais difícil que possa parecer, assim como ocorreu com os israelitas, precisaremos confiar no Senhor.

Pr. Vítor de Oliveira Ribeiro - Jaíba - MMN - USeB

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