Anda na minha presença e sê perfeito - Meditação - Família
"Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito" (Gênesis 17:1 | ARA).
O tema da perfeição na teologia sempre foi visto como um ponto sensível para a compreensão humana. De um extremo ao outro, várias são as interpretações relacionadas a possibilidade de "alcançar o padrão exigido por Deus". De um lado, há os que defendem a possibilidade humana de alcançar a perfeição. No extremo oposto, há aqueles que defendem a impossibilidade humana de alcançar a perfeição requerida por Deus. Para além dos extremos, é preciso analisar o vocativo divino para então, compreender o que de fato o Senhor requer da humanidade. Com base na citação de Gênesis 17:1, devemos questionar o que, de fato, Deus esta requerendo de Abraão.
No texto, a ordem divina é que seu servo "seja perfeito" ou que "ande na presença divina"? Levando em consideração que, perfeição é um atributo divino, este só pode ser atribuído a aqueles que se associam com o Senhor. Sem uma prévia proximidade e associação é, para o ser humano, destituído da santidade divina, impossível ser perfeito. Logo, conclui-se que, o imperativo divino, presente em Gênesis 17:1, não é para que Abrão seja perfeito, mas sim, para que ande diante de Deus. Isso porque, ser perfeito não é algo que Deus exige, mas sim, aquilo que Ele oferece. Nessa perspectiva, ser perfeito é uma consequência ou benção oferecida a aqueles que tomam a decisão de andar na presença do Senhor.
A compreensão de que perfeição não é algo que Deus exige mas sim, aquilo que Ele oferece é, demasiado importante a presente geração. Assim como no passado, muitos tem vivido entre o desejo de ser e, a impossibilidade de se tornar. No pendulo existente entre os dois extremos, muitos são os que, desmotivados por não alcançar os padrões desejados, desistem da caminhada cristã. Isso porque, se concentram na tentativa de se tornar perfeitos, sem a compreensão de andar na presença divina. Logo, são convencidos de que nunca alcançarão o "ideal desejado".
Na contramão dessa tendência (a de abandonar por não alcançar), Deus nos convida a olhar par o que de farto importa e, para aquilo que, na verdade, Ele espera de nós: "anda na minha presença". A consequência direta desta decisão é o resultado oferecido pelo Senhor: perfeição. Uma perfeição que é concedida ao ser humano de forma gradual e como resultado de dedicar tempo em andar na presença de Deus.
O apostolo Paulo, pregando aos filipenses apresenta aos cristãos do primeiro século a realidade de sua própria trajetória com Deus. Ele afirma: "Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; [...]". O apóstolo era plenamente consciente de sua condição imperfeita. A despeito de ter aceito o chamado divino, a despeito de ter deixado tudo para se tornar um apóstolo de Cristo. A despeito de se tornar um "modelo" de cristão, o apóstolo compreendia a impossibilidade humana de, por si só, alcançar a completa transformação do caráter.
Ainda assim, ao contrário de colocar-se em situação de acomodação, estagnação espiritual, ou mesmo abandono da fé, Paulo tomou uma decisão, prosseguir para o alvo. "[...] mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". (Filipenses 3:12-14 | ARA).
"Durante 13 anos Abraão não havia andado
inteiramente "diante de" Deus; daí a ordem
para que o fizesse. Abraão devia andar como
se estivesse na presença do próprio Deus,
cônscio da inspeção divina e atento à Sua
aprovação, não atrás dEle, como se estivesse
concentrado em suas próprias falhas e desejoso de evitar ser observado. [...] Abraão foi chamado a uma experiência mais elevada do
que havia conhecido até então" (Comentário Bíblico Adventista, Gênesis, p. 322).
Assim como Abraão, Paulo foi chamado para andar na presença de Deus. Como consequência, a ambos foi oferecido a oportunidade de se tornar semelhante a aquilo que Deus é. Ambos, de igual modo, compreenderam que perfeição não era resultado da ação humana, mas sim, da atuação constante da presença divina em contato com o humano. Logo, a decisão do patriarca, bem como, do apóstolo deve ser também a nossa decisão, deixar para trás o passado, prosseguindo para o alvo de nossa vocação, Cristo Jesus. Isso, implica estar conscientes do que somos, mas focar naquilo que podemos nos tornar, na presença de Deus.
Missão Mineira Norte - USeB
Departamental de Mordomia Cristã
Ministério da Família
Saúde
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