O inimigo interno - Comentário LES
Desde a criação do primeiro casal o universo viu-se diante de constante tensão e incerteza. Criados livres, o ser humano foi dotado do mais sagrado direito divino e, do dom mais precioso oferecido pelo Criador: o livre-arbítrio. De posse desse direito e dom a humanidade foi inserida num permanente estado de decisão e escolha. Fora estendido a todos o privilégio de conhecer a "vontade divina", para que, de posse de tal conhecimento, pudesse exercer o direito de escolher. A mente humana, por vezes denominada na Palavra de Deus como "coração", sede de todos os pensamentos, é o palco onde os convites divinos, bem como, as investidas do inimigo são apresentadas, para apreciação humana. Uma vez apreciados os apelos divinos e as opções do inimigo, a mente formula pensamentos que, geram e definem escolhas, que serão, por sua vez, concretiza por ações. Caso, a mente humana, aprecie os conselhos divinos, concretizaremos ações que revelam obediência a "vontade de Deus". Caso, a mente humana, aprecie as investidas do inimigo, concretizaremos ações que revelam obediência ao inimigo e, desobediência a "vontade de Deus". Levando em consideração que, a humanidade, infectada pelo vírus da "desobediência" (cf. Gênesis 3:5-10), tende a considerar as investidas do inimigo mais vantajosas do que os conselhos divinos, todo ser humano, inseridos no conflito cósmico espiritual, possuem, dentro de si mesmo, seu conflito particular. Onde, a todo o momento, tem de lutar a fim de subjugar e vencer o desejo da desobediência (o inimigo interno), a fim de, apreciar os conselhos divinos e, materializar, ações que reflitam sua decisão de obedecer e fazer a vontade de Deus.
Objetivo: Aprender a dominar nosso desejo de desobediência a fim de, manifestar ações que revelam obediência á vontade de Deus.
A. Violação da Aliança - Quando analisamos a Aliança divina com a humanidade, tomando como base, a relação da Aliança realizada com o povo de Israel, devemos levar em consideração que a mesma, não consiste, unicamente, na pratica da obediência aos termos apresentadas, nas Dez Palavras (Dez Mandamentos). Pelos contrário, envolve obediência a todas as orientações divinas.
- Outro aspecto a ser considerado é que, a revelação dos termos da Aliança, bem como, a aceitação a eles, foram feito do nível pessoal (individual), mas estendido ao nível coletivo (a nação).
- Sendo assim, quando um indivíduo desobedece a expressa vontade de Deus, toda a nação, pode vir a ser alcançadas pelas consequências do ato de desobediência.
- O capítulo 7 revela essa máxima.
- O verso 1 revela que:
- "os filhos de Israel", prevaricaram e;
- "porque Acã [...] tomou das coisas condenadas."
- Do indivíduo e a coletividade incluídas na desaprovação divina.
- O primeiro - pelo erro da presunção - confiar na própria força;.
- O segundo - pelo erro da desobediência - ter feito o que Deus proibiu.
- Destaca-se o erro de Israel em ter "prevaricado" nas coisas condenadas.
- O ato de "prevaricar" refere-se a:
- agir às escondidas:
- de forma desleal;
- traiçoeira e;
- infiel.
- Atos contrário ao que Deus espera de seus servos (lealdade e fidelidade).
- Noutras palavras, obediência.
B. O pecado de Acã - A análise do capítulo 7 revela que:
- Acã pecou (errou) duas vezes:
- Primeiro - errou ao agir de modo desleal e infiel contra a vontade de Deus.
- Segundo - errou ao desperdiçar a graça divina e a oportunidade de arrependimento.
- Deus revela neste incidente Sua forma peculiar de instaurar o processo de Investigação.
- Ao trabalhar de forma a inocentar os inocentes e destacar o culpado.
- Ao mesmo tempo, devemos ressaltar que o processo e modo investigativo de Deus revela que, nada nem mesmo os pensamentos humanos, permanece encoberto para o Senhor (cf. Jeremias 17:10).
C. Escolhas fatais - É inevitável correlacionar o pecado (transgressão da lei), com a ideia de desobediência á vontade de Deus. Isso porque, o pecado está ligado a oportunidade de "escolha".
- De modo algum teremos a chance de sermos declarados inocentes diante de Deus em relação ao pecado, visto que, a decisão para erro é inteiramente nossa.
- Assim como, temos a oportunidade de escolher errar ou não, do mesmo modo, o Senhor nos oferece a oportunidade de escolher, arrepender-se, confessar, abandonar e receber o perdão.
- Tudo é uma questão de fazer a escolha certa.
- A história de Acã e a forma como o Senhor conduziu o processo de investigação e julgamento, revelam que foi oferecido ao réu oportunidade de arrependimento e confissão do erro.
- O tempo, como já foi mencionado, entre o ato de desobediência, o início da investigação e, de fato chegarem ao culpado, foi tempo suficiente para que o réu buscasse a misericórdia divina.
- Infelizmente, no texto, não há uma única menção ao arrependimento de Acã.
- Devemos aqui destacar que reconhecer o erro e confessá-lo não, necessariamente, envolve arrependimento (mudança da mente e decisão de abandonar o erro).
- Acã confessou seu ato a pedido de Josué.
- Nesse sentido, sua confissão foi para que houvesse a "validação" da investigação e processo jurídico empreendido por Deus. Noutras palavras, para revelar que o modo utilizado por Deus erra correto e não abriria margens para questionamentos.
- Por último, mas não menos importante, a história de Acã ecoa o relato da queda (Gênesis 3:6).
- Assim como Eva "viu", "cobiçou" e "tomou" (cf. Josué 7:21), do mesmo modo agiu Acã.
- Não somente isso, assim como o primeiro casal, após o ato de desobediência se esconderão e não confessaram o erro ate serem confrontados, assim fez Acã.
- Isso revela um padrão que molda as ações dos desobedientes:
- A vontade de Deus é revelada por meio de uma advertência ou proibição;
- A escolha humana;
- O ato de desobediência;
- A ação humana de afastar-se de Deus e se esconder;
- O tempo de graça oportuno para reconhecer o erro e buscar o perdão;
- O chamado para a confissão e arrependimento;
- O reconhecimento tardio do erro e;
- A condenação.
- Textos que podem se encaixar nesse padrão: Gênesis 3:1-6; 4:1-9; Êxodo 32:1-6, 15-29; 2 Samuel 11 e 12; Mateus 26:31-35 e 69-75.
- Por essa razão, o vale onde foram executados se tornou em Vale de Acor.
- A palavra "Acor" pode ser traduzida como "problema ou confusão" (cf. Josué 7:26).
- No entanto, Deus declarou, anos depois, que transformaria aquele local na "porta da esperança" (cf. Oséias 2:15).
- Sem dúvida alguma, ação divina revela que o Senhor pode transformar uma situação problema do passado em uma oportunidade de esperança.
- Outro ponto a destacar é a vitória descrita no capítulo 8, vitória obtida por meio da graça, presença, liderança e estratégia divina.
- Não diferente ocorreria com o processo de libertação e consolidação da nação israelita na terra prometida.
- Tudo o que fora realizado, desde o encontro de Deus com o povo no Egito ate o definitivo estabelecimento na terra da promessa, o Senhor empreendeu a fim de oferecer a seu povo e, aos demais povos e nações, a oportunidade de conhecê-Lo e aceitar Sua vontade.
- Não diferente ocorreu também com a encarnação.
- Logo, as ações militares realizadas por Israel sob a direção divida, antes de oferecer aos israelitas a vitória e conquista da terra, ofereceu, ao mesmo tempo, aos cananeus a oportunidade de conhecerem a Deus e a ele se unirem em obediência.
- Uma vez que, tais nações desperdiçaram a oportunidade divina, foram alcançadas pela condenação.
- O Senhor ofereceu a todas as nações, como a nós hoje, oportunidade de sermos testemunhas de suas ações, para com isso, terem oportunidade arrependimento e mudança. infelizmente, nem todas aceitaram.
Destaque:
A. Tudo, desde Gênesis 3:1-6, pode-se resumir entre dois campos: o da obediência á vontade de Deus. Ou, o da desobediência á sua vontade.
B. Neste mundo só há dois senhores, e nós não somos um deles. Logo, ao optar por desobedecer a vontade expressa de Deus, não estaremos optando por fazer a nossa vontade. Mas sim, a vontade do inimigo de Deus.
Aplicação:
A. Sem dúvida alguma, nossa primeira e mais intensa batalha é travada a cada manhã, quando temos de decidir se iremos iniciar o dia fazendo a vontade de Deus ou, a nossa própria vontade. Caso vençamos esse primeiro conflito, apoiados na vontade de Deus, certamente, terminaremos o dia, do lado vencedor da guerra.
B. O ato de Acã, de se apegar as coisas condenadas por Deus, revela o que ocorrerá com aqueles que se apegam ao pecado. Uma vez que, Deus destruirá o pecado, todos aqueles que estiverem apegados a ele, com ele serão destruídos.
Comentários