Lealdade suprema: adoração em zona de guerra - Comentário LES
A narrativa do livro de Josué, principalmente em seus primeiros capítulos, está inserida num contexto de batalhas de conquista. O conflito com outras nações e mesmo com inimigos internos é parte integrante da rotina desta nação que avança a medida que precisa empreender grandes batalhas contra os habitantes da terra. No entanto, mesmo em meio o cenário desafiador da guerra, Israel é chamado a não se esquecer do Senhor e, mais, a colocar em primeiro lugar o que é mais importante. Noutras palavras, mesmo em meio ao conflito da guerras de conquista, o povo é motivado a priorizar sua relação de intimidade e lealdade á Deus. A nação é convidada a colocar em Deus em primeiro lugar, certos de que, caso qualquer outra coisa estivesse em primeiro lugar, que não fosse Deus, tudo estaria perdido. Aspectos como a circuncisão, a páscoa, a adoração sabática, a lei e, os demais aspectos relacionados a obediência a vontade revelada de Deus, precisariam estar em primeiro lugar na rotina e na agenda da nação, principalmente neste momento, em que a conquista poderia se tornar o foco principal da nação. Mesmo em tal momento, Deus deveria estar em primeiro lugar. Para a nação, estabelecer a prioridade era, sem dúvida alguma, a garantia de não correr atrás de futilidades.
Objetivo: Estabelecer a busca pelo Reino de Deus e de sua justiça como prioridade de nossa dia-a-dia.
A. Primeiro a aliança - O que pode ser mais importante para um povo que esperou, por mais de quatrocentos anos para receber o cumprimento da promessa da terra prometida, do que se preparar para a batalha, vencer o inimigo, entrar e receber o seu merecido descanso?
- Para os filhos de Israel, uma nova geração que havia aceito o compromisso de tomar posse da herança prometida por Deus, algo era mais importante e necessário do que, simplesmente, entrar e possuir a terra: a comunhão com o Senhor e Proprietário da terra.
- Devemos nos lembrar que está geração que está prestes a receber o cumprimento da promessa, não é a mesma que o Senhor havia libertado da escravidão do Egito.
- Eles não haviam experimentado as agruras da escravidão, nem mesmo todas as dificuldades apresentados ao longo da travessia do deserto.
- Ao mesmo tempo, precisavam ser cuidadosamente ensinadas sobre as obras de Deus e, sobre Suas exigências, no que diz respeito a prática da obediência a vontade divina.
- Logo, os aspectos espirituais deveriam ser priorizados antes da conquista da terra.
- Outros dois pontos devem ser colocados em relevo neste contexto:
- A circuncisão e;
- A páscoa.
- Esta geração não havia sido circuncidada e não haviam participado da celebração da páscoa.
- Ambas as cerimônias haviam sido descontinuadas desde a rebelião ocorrida em Cades-Barneia.
- Ambas as cerimônias relembravam os israelitas sobre a aliança pessoal e o compromisso de Deus em libertar aqueles que nele confiam.
- Parte da preparação do exército para a guerra, é dedicar tempo com o Senhor dos Exércitos.
- A experiência de Israel, neste momento da história, faz lembrar o que será experimentado por Desmond Doss, um cabo do Exército dos Estados Unidos que serviu como médico de combate em uma companhia de infantaria durante a Segunda Guerra Mundial. Devido às suas crenças religiosas como Adventista, ele se recusava a portar uma arma de fogo e, antes de avançar com sua companhia, honrou a Deus, buscando Sua presença e mantendo-se fiel aos mandamentos mesmo em meio ao campo de batalha.
- Não diferente deve ser nossa experiência nos dias atuais. A semelhança de Israel estamos no limiar de alcançarmos a terra prometida, a nova Jerusalém. No entanto, do mesmo modo, devemos considerar que parte de nossa preparação para vencer os eventos finais da história deste mundo, consiste em dedicarmos tempo a nos consagrar na companhia daquele que vai nos dar a vitória.
- Coloca Deus em primeiro lugar hoje, nos garantirá não somente a vitória final, mas também, acesso e posse as mansões celestiais.
B. Páscoa - Além da pratica da circuncisão, vemos que Josué levou o povo a celebra também a páscoa.
- Além da consagração, a páscoa evoca a lembrança dos eventos ocorridos no Egito.
- Antes de saírem do Egito, Deus instruiu seu povo a celebrarem uma cerimônia que revelaria confiança e fé no poder de Deus para operar a libertação.
- Os eventos que se seguiram foram:
- Uma promessa divina;
- Um ato de fé praticado pelo povo;
- A libertação;
- A travessia do mar Vermelho;
- A vitória sobre os inimigos;
- O deserto e;
- A terra prometida.
- Agora, em Josué, elementos semelhantes estão presentes:
- Uma promessa - a terra prometida;
- A travessia do rio Jordão;
- Um ato de fé praticado pelo povo - a páscoa;
- A vitória sobre os inimigos e;
- A terra prometida.
- Isso mostra que a "segunda geração" dos filhos de Israel estavam recebendo uma nova oportunidade de participar do cumprimento da promessa divina.
- Uma nova geração, uma nova história.
- Não diferente, Apocalipse revela que, nos últimos dias da história do pecado, haverá uma "terceira e última geração" que farão a última travessia, não mais no mar Vermelho ou no rio Jordão, mas sobre o Mar de Vidro, a fim de terem acesso a nova Jerusalém (cf. Apocalipse 4 e 7).
C. Altares de renovação - Já afirmamos, anteriormente, a ligação temática existente entre o livro de Josué e Deuteronômio. Entre ambas as narrativas os autores se dedicaram a relatar os eventos históricos ocorridos, mas também, deram ênfase naquilo que torna-se o centro de ambas as mensagens: a obediência a vontade de Deus expressa por meio de suas orientações, instruções, ordens e mandamentos. Evidenciando que, o amor (expresso por meio da obediência), era o elo que manteria unido Israel a Deus.
- Nesse sentido o capítulo 8:30 destaca que Josué repete o ato patriarcal de levantar altares, não somente para adoração, mas para renovação da aliança e da fé.
- Por meio deles a aliança é renovada pois o povo é chamado a se lembrar da presença e das promessas de Deus.
- Ao mesmo tempo, renova-se a fé, uma vez que Abraão levantou alteres que apontavam para a futura conquista da terra. Agora, Josué, os levanta para dar testemunho de que a promessa se cumpriu.
- Ao mesmo tempo, o capítulo coloca em relevo o tema da "obediência". Uma vez que faz um link com a orientação apresentada por Moisés em Deuteronômio 11:26-32, a onde se encontra a orientação para a escrita e leitura das bençãos e maldições, relacionadas a fidelidade (obediência) aos mandamentos divinos.
D. Escrito em pedras - Tanto em Deuteronômio como como em Josué há citações aos montes Ebal (local das maldições) e Gerizim (local das bençãos). Ambos os locais deveriam ser utilizados a fim de que o compromisso de povo com Deus pudesse ser reafirmado.
- Os sacrifícios realizados ali, apontaram para Jesus, que tomou sobre Si as maldições da aliança, para que as bençãos fossem estendidas a todos os que creem.
- No entanto, por que era necessário reescrever uma cópia da aliança?
- Levando em consideração a facilidade humana de esquecer as instruções que recebemos, Deus sabe que retemos melhor quando participamos, de modo ativo, do processo.
- Assim, por vezes, somos convidados a "fazer algo" que nos ajudará a gravar não somente a instrução, mas também, a experiência do momento.
- Quando, por exemplo, além de escutar a instrução, escrevemos, gravamos com maior facilidade.
- O mesmo ocorre quando, ao invés de somente assistir algo, participamos do que está sendo apresentado.
- Dai a instrução para:
- Por no coração;
- Ensinar aos filhos e;
- Escrever nos umbrais (cf. Deut. 11:18-20).
- O que Moisés e Josué fizeram para todo a nação, cada um deles, deveriam fazer de modo pessoal e individual.
E. Ansiando por Sua presença - Levando em consideração o destaque dado por Josué as prioridades da nação, não é de admirar que, em meio ao processo de distribuição da terra já conquistada, o Santuário (Tabernáculo), receba destaque especial.
- O tabernáculo e, futuramente o Templo, é a representação física da presença permanente de Deus no meio de Seu povo.
- Desde o pedido inicial apresentado em Êxodo 25, o desejo divino era estar no meio deles.
- Logo, a presença do Templo revelava, não somente o cumprimento da promessa (da presença contínuo de Deus). Mas também, relembra Israel que é a presença do Senhor é que garante ao povo as vitórias de conquista.
- Ao dar destaque ao Tempo, Josué, mais uma vez, esta destacando que tudo deve ocorrer tendo Deus como o centro.
Destaque:
A. Quem não estabelece suas prioridades, correrá atrás de futilidades.
B. Relegar aspectos da vida espiritual para segundo plano é colocar Deus em segundo lugar.
C. Gênesis 1:1, não por acaso, inicia com "no princípio [...] Deus". Ele deve estar no início de TUDO.
Aplicação:
A. As atividades que nos aproximam de Deus (oração, leitura da bíblia, comunhão com Deus em família e testemunho do que o Senhor tem feito em nosso favor), devem ser ações que estejam em nosso primeiro horário a cada dia. Caso venhamos relegar tais práticas para momentos intermediários ou mesmo para o final de cada dia, certamente, seremos tentados e, muitas vezes convencidos, a classifica-las como elementos de menor valor e importância.
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