Memoriais da graça - Comentário LES

Josué 4:23 e 24

Sem dúvida alguma, o livro de Josué está repleto de links que o liga aos pontos em destaque do livro de Deuteronômio. Isso pode ser visto na ênfase que ambos os autores dão a "memória dos atos de Deus" em favor do povo. Moisés reserva porções consideráveis de seus discursos no último livro do Pentateuco para fazer com que o povo se lembrasse das obra divinas realizadas no curso da caminhada no deserto. O objetivo, fazer com que o povo compreendesse (1) a permanente presença de Deus junto ao povo; (2) a fidelidade divina e; (3) se lembrasse do passado e cressem que da mesma forma como o Senhor agiu no passado, agiria também no presente e no futuro. A mensagem é clara: caso venhamos esquecer o que o Senhor realizou por nós no passado, certamente não conseguiremos crer que, pela graça, agirá em nosso favor no presente. Assim, a travessia do rio Jordão, ofereceu ao povo a oportunidade de "recordar" o que o Senhor já havia realizado pelo povo no passado. Ao mesmo tempo que, operando semelhante ato gracioso, ficaria gravado na mente desta geração que o "Deus vivo, Senhor de toda a terra", cumpriria suas promessas de entregar a terra prometida a seu povo. Essa promessa, fica ainda mais concreta, se compararmos os "povos" citados no verso 10, com as "águas" retidas no verso 16. Profeticamente, águas são símbolo de povos. Ao reter as águas, Deus está dando um exemplo, simbólico, do que fara com aqueles que habitam Canaã.

Objetivo: Destacar a centralidade da presença de Deus agindo em favor de seu povo.

A. Cruzando o Jordão - Números 14:44 revela o fracasso do povo em conquistar a terra sem a presença de Deus junto deles. Na ocasião, nem a arca nem Moisés estiveram presentes na batalha e, o povo foi derrotado.

  • Desta vez a estratégia foi diferente, envolveu:
  1. Preparo - santificação;
  2. Obediência e fé e;
  3. A arca - materializando a presença, comando e liderança divina.
    1. A arca ate aqui não havia sido mencionada no texto. 
      1. Contudo, nos capítulos 3 e 4 será mencionada pelo menos 16 vezes.
        • Isso revela e enfatiza não somente a presença de Deus, mas também, sua participação como Comandante do exército de Israel.
          • Ele não somente comandaria o povo, mas também, entraria a frente do povo.

B. O Deus das maravilhas - A nova geração que estava sob a liderança de Josué já haviam experimentado grandes sinais da proteção e presença de Deus. No entanto, a travessia do Jordão, sem dúvida alguma, foi um ato maravilhoso.

  • Nesse sentido "maravilhoso" (cf. Josué 3:5), refere-se a algo que somente o Senhor Deus poderia realizar.
  • Destaca um ato impossível para os homens mais que, como foi revelado, algo possível para Deus.
    • Pois assim como descreveu Josué e destacou o evangelista Lucas, "o impossível para o homem é possível para Deus".

C. Lembre-se - A bíblia deste sua origem, como registro permanente dos atos de Deus em favor de sua criação, tem o objetivo de manter diante da humanidade um testemunho, não somente de quem Deus é, mas também, do que Ele tem feito em nosso favor.

  • Êxodo 17:14 revela o desejo divino para que Moisés mantivesse um registro dos atos de Deus com o intuito de "manter em memória" as ações divinas.
  • O objetivo é levar o povo a não se esquecer do Senhor. E, ao mesmo tempo, fazê-los lembrar o que o Senhor fez em favor deles.
  • Deste modo, a coluna de pedras dentro e fora do Jordão serviria como "sinal" mas também, como memorial para que as futuras gerações não se esquecessem de Deus e de seus atos.
    • Ao mesmo tempo, devemos ressaltar que, esquecer do passado, nos torna vulneráveis quanto ao presente e descrentes quanto ao futuro.

D. Esquecimento - Devemos, sempre, ter em perspectiva que a história do povo de Deus descrita na Bíblia é a história de todos aqueles que aceitaram fazer parte da aliança divina.

  • A fé no poder e nas promessas divinas fazem de todos os cristãos no mundo filhos de um mesmo pai, Abraão. Assim, de uma forma direta ou indireta, compartilhamos o mesmo passado histórico.
  • Nos esquecer de nosso passado, seja bíblico ou contemporâneo, certamente será prejudicial para nossa relação com o Senhor.
    • Nossa origem, propósito e destino só fazem sentido se nos apegarmos pela fé em nossa história de fé e crer que as promessas apresentadas a Abraão, Isaque e Jacó, também nos pertence pela fé no sangue de Cristo

E. Além do Jordão - Assim como a travessia do Mar Vermelho, a travessia do rio Jordão marca um momento de virada na história do povo de Deus.

  • Enquanto no Mar Vermelho, o povo esta sendo conduzido por Deus para a liberdade. Deixando para traz a escravidão.
  • No Jordão, o povo está sendo conduzido por Deus para receberem a terra prometida. Deixando para traz as lutas enfrentadas no deserto.
    • Sem dúvida alguma, uma mudança de condição:
      • De escravos para libertos;
      • De nômades sem pátria, para uma nação e um reino estabelecido.
        • Ou como afirma Hebreus 3 e 4, Israel foi entrou em seu descanso temporal.

Destaque:

A. A palavra "arca" é citada pelo menos 16 vezes nos capítulos 3 e 4. Uma vez que a mesma remete a presença de Deus junto ao povo, presença que lhes garante santidade e vitórias. Pode-se concluir que, o que ocorreu, em relação a travessia do Jordão, bem como, o que ocorrerá, em relação a conquista de Jericó, só ocorrerá por ocasião da presença permanente de Deus junto ao povo. Representada pela arca da Aliança e Testemunho.

B. O livro de Josué, como o livro de Êxodo, pelo menos nos capítulos 3 e 4, revelam significativa concentração de referências à Deus. Em ambos os capítulos Deus é apresentado de modo a compreendermos melhor quem Ele é para o povo, e para o momento em que o povo está atravessando. No capítulo 2:11, Ele é o Deus em cima no céu e embaixo na terra. No capítulo 3:5, o Deus que opera maravilhas. No verso 10, Ele é o Deus vivo. No verso 11, Ele é o Senhor de toda a terra. E, no capítulo 4:24, Ele é o Senhor forte. 

C. A travessia do Jordão, sob a liderança de Josué, serviu para que Deus, espelhasse no novo líder semelhante respeito que o povo já manifestava por Moisés. O verso 14, do capítulo 4, enfatiza o ato divino de "engrandecer" Josué a fim de obter do povo o mesmo "respeito" antes dedicado a Moisés. Deixando claro que "respeito" não se impõem, se conquista, primeiramente de Deus e, por consequência, dos liderados.

Aplicação:

A. A relação com Deus é uma experiência em que somos chamados a permitir que Ele intervenha em nossa vida e opere sua vontade. Uma vez que Sua obra é realizada em nós ou mesmo através de nós, não devemos nos esquecer de tais atos realizados por Deus. Caso contrário, nunca estaremos dispostos a confiar que Ele, assim como agiu no passado, agirá, tanto no presente como no futuro.

B. Nos esquecer do que Deus fez, pode invalidar nossa fé no que Ele poderá ainda fazer.

C. O impossível para o homem é o possível para Deus (cf. Lucas 18:27).

Pr. Vítor de Oliveira Ribeiro - Jaíba - MMN - USeB

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