Deus luta por vocês - Comentário LES
Objetivo: Em suma, todos os conflitos (pessoais ou interpessoais), são em última instância, reflexos do conflito principal entre Deus e Satanás. Conflito que se estende e envolve o ser humano, sob o prisma da obediência ou desobediência a vontade do Senhor.
A. A iniquidade dos cananeus - Ao analisar as batalhas de conquista do livro de Josué podemos ser levados a considerar que o Senhor decidiu destruir os cananeus somente para cumprir a promessa de oferecer as terras de Canaã a Seu povo. No entanto, a expulsão do povo teve sua razão na iniquidade deles.
- Gênesis 15 revela que, por ocasião do chamado de Abraão, Deus já o havia notificado de que o povo da terra de Canaã já estava sendo observado por Deus.
- A intenção divina era oferecer este território como possessão para Seu povo.
- No entanto, desejou, o Senhor, oferecer antes, a oportunidade para que os habitantes da terra tivessem a oportunidade de conhecer o Senhor e a Ele se unir pela conversão, abandono dos pecados.
- No entanto, como revelam textos como Levíticos 18 e Deuteronômio 18, o povo não somente rejeitou o conhecimento divino, como também, a graça oferecida divina.
- Assim, o pecado (atos de desobediência a revelada vontade de Deus), fez com que os cananeus recebessem a punição divina.
B. O Juiz supremo - Outro dado que não pode ser tirado do contexto da análise das batalhas autorizadas por Deus é o fato de que, desde o princípio da história humana, Deus está em guerra contra o pecado (desobediência).
- A guerra travada pelo Senhor nunca foi contra o ser humano, mas contra o originador do pecado (cf. Apocalipse 12).
- No entanto, o homem foi envolvido nessa guerra a partir do momento que escolheu desobedecer a Deus.
- E, desobediência a vontade revelada de Deus resulta em morte.
- Analisando deste modo chegaremos a constatação de que, Deus não somente guerreia contra o pecado, mas também, é o Juiz que julga cada ato praticado pelo ser humano.
- Sendo assim, duas coisas precisam ser destacadas:
- Primeiro, uma guerra empreendida pelo homem só poderá ser considerada uma "guerra santa" se o objetivo for para a glória de Deus e para o restabelecer a soberania divina.
- E, segundo, se o objetivo for o restabelecimento da ordem divina, pautada na justiça e na paz que Ele oferece.
- Visto que, o desejo de Deus nunca foi a batalha ou a morte dos seres humanos, mas sim, o restabelecimento da ordem divina original, pautada na submissão humana á Sua vontade.
C. Desapropriação ou aniquilação? - O propósito original de Deus para os cananeus não era a destruição (morte). Textos como Êxodo 23:28-30; 33:2 e 34:11, confirmam esse ideia. Pelo contrário, o desejo divino era que tais povos fossem desalojados e suas terras desapropriadas. No entanto, não foi isso que ocorreu.
- Como sabemos, o povo não foi somente conquistado mas destruídos por completo. Porque?
- Se o objetivo era a desapropriação da terra e a destruição de sua religião (cultura pagã), por que foram destruídos?
- É possível compreender a ação divina se tomarmos como base o relato da intervenção divina na libertação dos hebreus do Egito.
- O propósito divino não era destruir o reino egípcio, mas sim libertar o povo.
- No entanto, o rei tomou a decisão de "não aceitar a vontade de Deus e a Ele desobedecer".
- Com isso, Deus manifestou Sua vontade por meio de "atos de revelação e juízo".
- O mesmo ocorreu com os cananeus.
- A obstinação em permitir que a vontade de Deus fosse cumprida, somando ao apego pelas práticas de idolatria, fizeram com que, se rebelassem contra Deus.
- Tornando-os passíveis da punição divina.
D. Livre-arbítrio - Quando estudamos sobre o tema das guerras e batalhas travadas pelo povo de Deus e, sob o comando Dele, devemos ter em perspectiva a ordem divina apresentada em Deuteronômio 20:10-18.
- Neste texto o Senhor apresenta Sua instrução sobre a forma como Israel deveria se aproximar do habitantes de Canaã.
- O objetivo divino era que fosse apresentado uma "proposta de paz".
- Essa proposta estaria baseada no convite para que tais povos pudessem se "unir" a Deus por meio dos termos da Aliança.
- A mesma Aliança oferecida ao povo de Israel.
- Caso os termos fossem aceitos, não havia intervenção militar ou guerra.
- Caso não fosse aceito, Deus se utilizaria de seu povo como instrumento de punição.
- Isso nos leva a compreender que, a todas as pessoas, povos e nações, foram estendidas as mesmas oportunidades estendidas ao povo de Israel.
- Do mesmo modo que, a todos os povos, incluindo os israelitas, foram estendidas as mesmas penalidades, caso não aceitassem a proposta divina.
- Essa informação é importante destacar, pois, alguém poderia supor que Deus havia escolhido Israel para ter a terra e, escolhido o povo cananeu para ser destruído.
- Pelo contrário, Deus trabalhou e trabalha para a salvação de todos.
- Como sabemos, o povo de Israel não foi escolhido em detrimento dos outros.
- Eles foram escolhidos porque Deus deseja salvar todos.
- Israel seria o "meio" pelo qual o Senhor empreenderia Sua obra.
E. O Príncipe da paz - Embora saibamos que o início da ocupação do território de Canaã tenha sido marcado por conflitos e guerras, esta realidade deveria ser temporal.
- Profetas como Isaías, Oseias e Miqueias descrevem um tempo de paz, principiado pelo povo de Deus e, finalmente, concretizado, pelo Messias - o Príncipe da paz.
- Uma prova de que as guerras não estavam nos planos divinos, é o exemplo apresentado em 2 Reis 6:16-23.
- Na ocasião o profeta Eliseu foi cercado pelo exército sírio.
- No entanto, consciente de que estava protegido pelo Exército de Deus, não promoveu a batalha, pelo contrário, evitou o conflito e obteve a paz (cf. 2 Reis 6:23).
- Logo, ainda que Cristo tenha se apresentado á Josué como o Príncipe do Exército de Deus (cap.6).
- Não podemos nos esquecer que, antes de tudo, Ele é o Príncipe da Paz.
Destaque:
A. Todos os conflitos (pessoais ou interpessoais), são em última instância, reflexos do conflito principal entre Deus e Satanás. Conflito que se estende e envolve o ser humano, sob o prisma da obediência ou desobediência a vontade do Senhor.
B. Como reconhecer um conflito sendo ou não travado com a aprovação divina? Deus, estaria ainda hoje, a autorizar tais batalhas? E, caso, ainda autorizasse, quem ou quais povos estariam sob Sua direção para a realização de tais ações militares?
C. Devemos manter em perspectiva que as batalhas relatadas no livro de Josué, além de autorizadas por Deus, tiveram um objetivo bastante definido: conquista da terra prometida. O objetivo nunca foi forçar que outros povos aceitassem a Aliança com o Senhor. Logo, configuram batalhas religiosas pois em última análise, eram batalhas entre a vontade de Deus e a vontade do inimigo. No entanto, nunca se configuraram como uma batalha com o fim de estabelecer uma dominância religiosa ou punir aqueles que não aceitavam a fé no Senhor. Aja vista, o fato de, uma vez conquistada a terra, o plano de Deus era atrair e alcançar os demais povos, por meio do testemunho de Israel e do oferecimento dos "benefícios da Aliança com o Senhor - evangelho".
Aplicação:
A. Em última análise, o triste fim do povo cananeu retrata o que também ocorrerá por ocasião da volta de Cristo. Aqueles que aceitarem a vontade revelada do Senhor e, a Ele se unirem, serão polpados e salvos da condenação. Por outro lado, aqueles que rejeitarem a graça oferecida, serão submetidos a condenação divina. Devemos tomar como exemplo tais relatos para que possamos, hoje, tomar nossa decisão.
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