Deus luta por vocês - Comentário LES

Josué 10:42

A partir do capítulo 6, do livro de Josué, somos inseridos numa sequencia de campanhas militares realizadas pelo exército Israelita a fim de colocar em operação "o imperativo divino". Nesse sentido a "vontade de Deus" será revelada por meio de uma campanha militar que tem como objetivo "expulsar" os cananitas e entregar o território á Israel. No entanto, mesmo levando em consideração a história descrita no texto bíblico e, sabendo que, primeiro, Deus prometeu está terra a Seu povo e, segundo, Deus havia estendido um logo período para que os habitantes deste território pudessem aceitar a "vontade de Deus" pela paz. Ainda assim, tais relatos (Josué 6 a 10), levantam questionamentos em relação as "batalhas travadas pelo povo e ordenadas por Deus". É certo que a Bíblia revela que o desejo divino nunca foi que Seu povo estivesse diretamente ligado a guerras ou batalhas de conquista. Visto que, o Senhor era quem lutaria por eles. No entanto, vemos em Josué, o povo, mais especialmente, o exército israelita, sendo usado como instrumento de Deus em inúmeras batalhas. A pergunta é: Como compreender o uso divino, de instrumentos humanos, para trazer morte e destruição a outros seres humanos? Teria Deus escolhido um povo para punir os demais que vivem em franca rebelião e desobediência a sua vontade? Talvez, possamos começar nossa busca por compreender esse tema, analisando a descrição do verso 42, do capítulo 10, onde o uso do verbo "tomou", nos ajudará a analisar o quadro completo.
O verbo [tomou - lakad, em hebraico] descreve predominantemente a tomada militar de cidades, povos e objetos. Das primeiras vitórias de Israel a leste do Jordão — "Então Israel capturou todas estas cidades" ( Números 21:25 ) — à queda de Jerusalém para a Babilônia ( 2 Reis 24:10 ), לָכַד é a palavra-narração padrão para triunfo em batalha. Josué contém o grupo mais denso: Jericó ( Josué 6:20 ), Ai (8:7), Hazor (11:10) e uma rápida sucessão de fortalezas cananeias ao sul e ao norte (10:28-39; 11:12). Em cada caso, a captura é retratada como o cumprimento visível da promessa do SENHOR de "entregá-los em suas mãos" ( Josué 6:2 ), ressaltando que as vitórias de Israel são atos de estratégia divina, não meramente humana. O mesmo verbo relata o julgamento de Deus contra Israel quando a aliança é violada. A Arca é "capturada" pelos filisteus ( 1 Samuel 4:11 ); Samaria é "capturada" pela Assíria ( 2 Reis 17:6 ); Jerusalém é "capturada" primeiro pelos generais de Nabucodonosor (24:10-11) e finalmente no reinado de Zedequias (25:6-7). לָכַד, portanto, enquadra tanto a bênção quanto a maldição dentro da estrutura da aliança de Deuteronômio 28, provando a imparcialidade da justiça de Deus (Fonte:https://biblehub.com/hebrew/3920.htm).
Com base no apresentado acima, embora não responda todas as nossas perguntas sobre o tema, nos ajuda a compreender a "iniciativa e ação divina", tanto em autorizar as batalhas, como em agir para que as vitórias fosse obtidas, por meio de Seu poder, como atos de juízo contra tais povos. Uma vez que, tais campanhas militares tem não somente a autorização, mas também, a presença divina, a fim de levar a cabo Seus juízos, podemos inferir que, tais ações militares estão inseridas dentro de um cenário maior, ligado ao conflito espiritual entre o bem e o mal. Entre o inimigo e adversário do homem e, Deus.

Objetivo: Em suma, todos os conflitos (pessoais ou interpessoais), são em última instância, reflexos do conflito principal entre Deus e Satanás. Conflito que se estende e envolve o ser humano, sob o prisma da obediência ou desobediência a vontade do Senhor.

A. A iniquidade dos cananeus  - Ao analisar as batalhas de conquista do livro de Josué podemos ser levados a considerar que o Senhor decidiu destruir os cananeus somente para cumprir a promessa de oferecer as terras de Canaã a Seu povo. No entanto, a expulsão do povo teve sua razão na iniquidade deles.

  • Gênesis 15 revela que, por ocasião do chamado de Abraão, Deus já o havia notificado de que o povo da terra de Canaã já estava sendo observado por Deus.
    • A intenção divina era oferecer este território como possessão para Seu povo.
    • No entanto, desejou, o Senhor, oferecer antes, a oportunidade para que os habitantes da terra tivessem a oportunidade de conhecer o Senhor e a Ele se unir pela conversão, abandono dos pecados.
      • No entanto, como revelam textos como Levíticos 18 e Deuteronômio 18, o povo não somente rejeitou o conhecimento divino, como também, a graça oferecida divina.
  • Assim, o pecado (atos de desobediência a revelada vontade de Deus), fez com que os cananeus recebessem a punição divina.

B. O Juiz supremo - Outro dado que não pode ser tirado do contexto da análise das batalhas autorizadas por Deus é o fato de que, desde o princípio da história humana, Deus está em guerra contra o pecado (desobediência).

  • A guerra travada pelo Senhor nunca foi contra o ser humano, mas contra o originador do pecado (cf. Apocalipse 12).
    • No entanto, o homem foi envolvido nessa guerra a partir do momento que escolheu desobedecer a Deus.
      • E, desobediência a vontade revelada de Deus resulta em morte.
  • Analisando deste modo chegaremos a constatação de que, Deus não somente guerreia contra o pecado, mas também, é o Juiz que julga cada ato praticado pelo ser humano.
  • Sendo assim, duas coisas precisam ser destacadas:
    • Primeiro, uma guerra empreendida pelo homem só poderá ser considerada uma "guerra santa" se o objetivo for para a glória de Deus e para o restabelecer a soberania divina.
    • E, segundo, se o objetivo for o restabelecimento da ordem divina, pautada na justiça e na paz que Ele oferece. 
      • Visto que, o desejo de Deus nunca foi a batalha ou a morte dos seres humanos, mas sim, o restabelecimento da ordem divina original, pautada na submissão humana á Sua vontade.

C. Desapropriação ou aniquilação? - O propósito original de Deus para os cananeus não era a destruição (morte). Textos como Êxodo 23:28-30; 33:2 e 34:11, confirmam esse ideia. Pelo contrário, o desejo divino era que tais povos fossem desalojados e suas terras desapropriadas. No entanto, não foi isso que ocorreu.

  • Como sabemos, o povo não foi somente conquistado mas destruídos por completo. Porque?
    • Se o objetivo era a desapropriação da terra e a destruição de sua religião (cultura pagã), por que foram destruídos?
      • É possível compreender a ação divina se tomarmos como base o relato da intervenção divina na libertação dos hebreus do Egito.
        • O propósito divino não era destruir o reino egípcio, mas sim libertar o povo.
        • No entanto, o rei tomou a decisão de "não aceitar a vontade de Deus e a Ele desobedecer".
          • Com isso, Deus manifestou Sua vontade por meio de "atos de revelação e juízo".
          • O mesmo ocorreu com os cananeus.
            • A obstinação em permitir que a vontade de Deus fosse cumprida, somando ao apego pelas práticas de idolatria, fizeram com que, se rebelassem contra Deus.
              • Tornando-os passíveis da punição divina.

D. Livre-arbítrio - Quando estudamos sobre o tema das guerras e batalhas travadas pelo povo de Deus e, sob o comando Dele, devemos ter em perspectiva a ordem divina apresentada em Deuteronômio 20:10-18.

  • Neste texto o Senhor apresenta Sua instrução sobre a forma como Israel deveria se aproximar do habitantes de Canaã.
    • O objetivo divino era que fosse apresentado uma "proposta de paz".
      • Essa proposta estaria baseada no convite para que tais povos pudessem se "unir" a Deus por meio dos termos da Aliança
      • A mesma Aliança oferecida ao povo de Israel.
        • Caso os termos fossem aceitos, não havia intervenção militar ou guerra.
        • Caso não fosse aceito, Deus se utilizaria de seu povo como instrumento de punição.
  • Isso nos leva a compreender que, a todas as pessoas, povos e nações, foram estendidas as mesmas oportunidades estendidas ao povo de Israel.
    • Do mesmo modo que, a todos os povos, incluindo os israelitas, foram estendidas as mesmas penalidades, caso não aceitassem a proposta divina.
      • Essa informação é importante destacar, pois, alguém poderia supor que Deus havia escolhido Israel para ter a terra e, escolhido o povo cananeu para ser destruído.
        • Pelo contrário, Deus trabalhou e trabalha para a salvação de todos.
        • Como sabemos, o povo de Israel não foi escolhido em detrimento dos outros.
          • Eles foram escolhidos porque Deus deseja salvar todos.
            • Israel seria o "meio" pelo qual o Senhor empreenderia Sua obra.

E. O Príncipe da paz - Embora saibamos que o início da ocupação do território de Canaã tenha sido marcado por conflitos e guerras, esta realidade deveria ser temporal.

  • Profetas como Isaías, Oseias e Miqueias descrevem um tempo de paz, principiado pelo povo de Deus e, finalmente, concretizado, pelo Messias - o Príncipe da paz.
  • Uma prova de que as guerras não estavam nos planos divinos, é o exemplo apresentado em 2 Reis 6:16-23.
    • Na ocasião o profeta Eliseu foi cercado pelo exército sírio.
      • No entanto, consciente de que estava protegido pelo Exército de Deus, não promoveu a batalha, pelo contrário, evitou o conflito e obteve a paz (cf. 2 Reis 6:23).
        • Logo, ainda que Cristo tenha se apresentado á Josué como o Príncipe do Exército de Deus (cap.6).
        • Não podemos nos esquecer que, antes de tudo, Ele é o Príncipe da Paz.

Destaque:

A. Todos os conflitos (pessoais ou interpessoais), são em última instância, reflexos do conflito principal entre Deus e Satanás. Conflito que se estende e envolve o ser humano, sob o prisma da obediência ou desobediência a vontade do Senhor.

B. Como reconhecer um conflito sendo ou não travado com a aprovação divina? Deus, estaria ainda hoje, a autorizar tais batalhas? E, caso, ainda autorizasse, quem ou quais povos estariam sob Sua direção para a realização de tais ações militares?

C. Devemos manter em perspectiva que as batalhas relatadas no livro de Josué, além de autorizadas por Deus, tiveram um objetivo bastante definido: conquista da terra prometida. O objetivo nunca foi forçar que outros povos aceitassem a Aliança com o Senhor. Logo, configuram batalhas religiosas pois em última análise, eram batalhas entre a vontade de Deus e a vontade do inimigo. No entanto, nunca se configuraram como uma batalha com o fim de estabelecer uma dominância religiosa ou punir aqueles que não aceitavam a fé no Senhor. Aja vista, o fato de, uma vez conquistada a terra, o plano de Deus era atrair e alcançar os demais povos, por meio do testemunho de Israel e do oferecimento dos "benefícios da Aliança com o Senhor - evangelho".

Aplicação:

A. Em última análise, o triste fim do povo cananeu retrata o que também ocorrerá por ocasião da volta de Cristo. Aqueles que aceitarem a vontade revelada do Senhor e, a Ele se unirem, serão polpados e salvos da condenação. Por outro lado, aqueles que rejeitarem a graça oferecida, serão submetidos a condenação divina. Devemos tomar como exemplo tais relatos para que possamos, hoje, tomar nossa decisão.

Pr. Vítor de Oliveira Ribeiro - Jaíba - MMN - USeB

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