Deus consente com nossas escolhas - Meditação - Família

"Disse o Senhor a Samuel: Atende à voz do povo em tudo o quanto te diz, [...]" (1 Samuel 8:7).

O livro de Samuel, desde os primeiros capítulos, deixa claro ao leitor que se trata de um livro que coloca a família e, em especial, a relação pais e filhos em destaque. O livro inicia apresentando uma mulher que por suas tribulações e anseios, se derrama diante de Deus em oração. Sua vida de fé e suplicas a coloca em intima relação com o Senhor e, por graça, Deus a atende e lhe faz mãe de Samuel. Cujo o nome se refere ao Deus que ouve.

Por sua vida de oração, estudo da torá, comunhão e testemunho, oportunizou ao filho nascer e crescer num ambiente repleto de adoração a Deus, fazendo do mesmo a oferta provida para servir como instrumento diante do Senhor. Em flagrante contraste a vida de Ana e seu filho Samuel, o autor nos apresenta a vida de Eli, o sacerdote e, de seus filhos, lideres do povo. Pela vida reprovável dos filhos, Eli é confrontado por Deus e pelo povo. No entanto, o pequeno Samuel cresce e não somente passa a ocupar a função de Eli, mas também terá seus filhos.

Infelizmente, assim como ocorreu com os filhos de Eli, os filhos de Samuel também se tornaram reprováveis diante de Deus e do povo, contudo, não por negligência do pai. Diante da avançada idade de Samuel e da inaptidão dos filhos para liderar o povo, estes, reunindos em assembleia, vieram até Samuel pleitear para si um rei.

Ate este momento, a despeito das faltas, falhas e erros cometidos pelo povo escolhido por Deus, o Senhor, mantinha-se como o Senhor e Rei de seu povo. A estrutura governamental israelita, ate então, era teocrática, tendo o Senhor como Rei, os sacerdotes como mediadores espirituais e juízes, e os anciões e príncipes como líderes do povo.  Diferentemente das demais nações circunvizinhas, Israel não tinha um monarca. No entanto, diante do cenário presente e, da má conduta do povo e de seus lideres (os filhos de Samuel), o povo tomou a decisão de escolher para si um rei. Uma vez tomada a decisão, não consultaram a Deus, pelo contrário, lhe comunicaram a decisão tomada: "constituí-nos, pois agora, um rei sobre nós, para que governe, como o tem todas as nações" (v.5).

Embora esse não fosse o desejo de Deus para seu povo, como descrito no verso 7, e a atitude do povo representasse reprovação e rejeição da soberania divina, Deus acolheu o pedido do povo. E, é aqui que a narrativa nos ensina um poderosa lição sobre as relações familiares. "Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele. Segundo todas as obras que fez desde o dia em que o tirei do Egito até hoje, pois a mim me deixou, e a outros deuses serviu, assim também o faz a ti. Agora, pois, atende à sua voz, porém adverte-o solenemente e explica-lhe qual será o direito do rei que houver de reinar sobre ele" (1 Samuel 8:7-9).

Entre os versos 7-9, Deus irá ordenar a Samuel que "atenda" o pedido do povo. Há uma razão para isso. O verso 6, coloca em relevo a desaprovação de Samuel frente ao pedido do povo. Assim como, para Deus, para Samuel o pedido do povo representava uma afronta e um erro contra o Senhor. No entanto, Deus acolheu o pedido. E, para que Samuel pudesse, do mesmo modo, acolher o desejo da nação, Deus insiste por três vezes (vs.7, 9 e 22). A insistência divina para que Samuel permitisse ao povo colocar em prática o que desejavam, está fundamentado no ensino bíblico da liberdade de escolha que os pais devem prover a seus filhos. Embora sejam os pais responsáveis por prover orientação, instrução e conselhos que proporcione segurança e benção, não está sob o controle dos pais as escolhas e, por consequentes, as consequências que seus filhos experimentaram com base nas escolhas que fizerem. 

Tal qual agiu o Senhor, é de responsabilidade dos pais orientar, instruir e conduzir os filhos pelo bom caminho. No entanto, chegará o momento que, como Israel, os filhos poderão tomar decisões e fazer escolhas que contrariam o desejo paterno. Contudo, com oração e pesar, devem os pais "atender" o desejo dos filhos e permitir que, por si mesmos, compreendam as danosas consequências de não seguir a instrução divina. Devem os pais e, principalmente os filhos, compreender que o silêncio ou a ausência de um "não" não significam "sim". No caso do povo de Israel, a aceitação divina não representação sua aprovação.

O Senhor sempre dá oportunidade para os seres humanos provarem que Seus caminhos são os melhores. As vezes, porém, Ele cede aos desejos das pessoas e permite que sigam o rumo que escolhem, a fim de que seus fracassos, por mais graves que sejam, acabem levando-as a se prostrarem de joelhos e reconhecerem a superioridade de Seu plano eterno (Comentário Bíblico Adventista, volume 2, p.518). 

Departamental de Mordomia Cristã
Ministério da Família 
MAP 

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