A aliança e o modelo - Comentário LES

Êxodo 24:3

Levando em consideração que "aliança" (compromisso firmado entre duas partes para um fim comum e benéfico à ambos os lados), pressupõem "liberdade" física e moral, Deus primeiro libertou o povo de Israel e, agora, uma vez apresentado o Decálogo (as Dez Palavras), o Senhor os chamará a "escolher" se desejam ou não de, de fato, fazer um "compromisso" com o Senhor. Este compromisso ou aliança envolvia a iniciativa divina em apresentar suas estipulações ou termos (mandamento) e o povo aceitá-los. Ao mesmo tempo, a obediência aos termos garantiria ao povo a "presença de Deus entre eles", que noutras palavras significa proteção e bênçãos. Por outro lado, a desobediência aos termos (mandamentos ou palavras) divinas teria "consequências" para o indivíduo, para o povo e para a nação. Êxodo 24 narra em detalhes o processo, meticulosamente, elaborado por Deus a fim de não haver má interpretação daquilo que estava ocorrendo. (1) o Senhor chama os representantes do povo; (2) sobem Moisés, o líder, Arão e seus filhos, os sacerdotes e, os setenta anciões do povo; (3) Moisés se aproxima para receber as instruções divinas; (4) volta para anunciar ao povo; (5) o povo aceita e concorda com os termos; (6) Moisés registra a decisão, lavrando o documento da aliança; (7) que é selado com um sacrifício de sangue, o sangue da aliança e; (8) Moisés, os sacerdotes e anciões participam de uma refeição com o Senhor, símbolo da celebração de um acordo. Destaca-se ainda dois pontos ligados a apresentação dos termos da aliança ao povo (v.24): Primeiro, o destaque para a ideia de totalidade. A palavra "tudo" é apresenta no verso quatro vezes, destacando-a como a ideia central do verso. Colocando em relevo que tudo o que foi apresentado foi aceito e seria colocado em pratica. Segundo, o resumo da aliança. O verso 24, na última parte, destaca: "Tudo o que o Senhor falou faremos". Esta frase, de modo único, perfeito e completo, resumo a ênfase da aliança divina com o ser humano. Isso porque, de um lado temos Deus, o que fala e apresenta sua imperativa vontade. Do outro, temos o ser humano que tem a responsabilidade de ouvir e obedecer, colocando em prática o que o Deus falou. Em resumo, Deus fala, nós obedecemos. Tal constatação nos ajuda a nos lembrar que, em se tratando da aliança formulada e oferecida pelo Senhor, nós não temos a prerrogativa de questionar, sugerir alterações ou anular a fala divina. Nossa prerrogativa é obedecer.   

Objetivo: enfatizar o caráter optativo de adesão a aliança e, o caráter pratico da obediência ao que Deus oferece.

A. O livro e o sangue - De modo surpreendente o verso 3, do capítulo 24, destaca o contraste existente entre a vontade humana e sua própria capacidade.
  • Ao serem convidados a assumir um compromisso com o Senhor, este lhes revelou o seu desejo edênico, o de desenvolver um relacionamento intimo e constante com o ser humano.
    • Relacionamento que teve como ponto especial o estabelecimento do sábado na criação (Gênesis 2:1-3).
  • Ao serem convidados a assumir um compromisso com o Senhor, o ser humano revelou, ao mesmo tempo:
    • Desejo por ter de volta, a relação iniciada no Éden e;
    • Seu desconhecimento quanto a sua real natureza de incapacidade de manter sua decisão.
      • Embora houve de ambas as partes o desejo de iniciar um relacionamento, realmente pautado na obediência permanente, Deus sabia que a natureza humana, inclinada a desobediência não seria capaz de cumprir, em todos os detalhes, os desígnios divinos.
        • A fim de que, houvesse uma garantia, Deus propôs, que tal aliança fosse "afiançada" pelo sangue de Cristo.
          • O sacrifício apresentado sobre o altar, bem como o sangue aspergido sobre o povo, apontada, como símbolo, para o sangue de Cristo, o sangue da aliança (Gênesis 3:15), que apontava para a cruz.
            • O sangue seria a garantia de que, mesmo tendo o desejo de ser fiéis ao Senhor, caso, não conseguissem, pela fé no sangue de Cristo e sua obediência perfeita, ainda permaneceriam aceitos na aliança divina. 
B. Vendo a Deus - Na introdução destacamos o processo do estabelecimento da aliança, onde no final, depois de ter lavrado, por escrito, os termos da aliança, Moisés, os sacerdotes e os anciões do povo, tiveram o privilégio de celebrar a aliança com Deus por meio de uma refeição.
  • No Oriente Médio, ser convidado para uma refeição é um poderoso sinal de relacionamento e compromisso entre o anfitrião e o convidado.
  • A ideia de aceitação e compromisso mútuo fica clara pelo fato de o verso 11, afirmar que o Senhor não "estendeu a mão sobre os escolhidos". Enfatizando que o Senhor não os puniu por estarem em sua presença. 
    • Pelo contrário, a aprovação divina é afirmada pelo fato de ter o Senhor oferecido um banquete aos convidados.
      • O mesmo verso destaca que Moisés, os sacerdotes e anciões comeram e beberam com o Senhor.
  • No entanto, sem dúvida alguma, o ponto alto desse encontro, assim como ocorrera anteriormente com Abraão (Gênesis 18), foi o fato de terem eles visto o Senhor.
    • Levando em consideração que Deus Pai, jamais foi visto, conforme aponta diversos texto bíblicos, podemos afirmar que eles viram Jesus, em sua forma gloriosa. 
      • Se, considerarmos que Hebreus 1:3, afiam que Jesus é "o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser", ou seja do Ser de Deus, é possível concluir que o Senhor Jesus esteve com seu povo, de modo ainda mais intimo, naquele encontro.
  • Por último, vale destacar a ligação entre a refeição celebrada em Êxodo 24:11 com a Ceia do Senhor em Lucas 22:14-22. 
    • Ambos momento em que a aliança divina foi celebrada por meio de uma refeição com aqueles com quem a aliança estava sendo celebrada.

C. Poder para obedecer (viver a vontade de Deus) - Como já destacado anteriormente, a aliança de Deus pressupõem o compromisso de obedecer, e por três vezes o povo de Israel, de modo unânime, declararam seu desejo de assim fazer (cf. Êxodo 19:8; 24:3 e 7).
  •  No entanto, como viver uma vida de obediências aos termos da aliança de Deus, como seres humanos inclinados a desobediência?
    • Como sabemos, o final do relato do recebimento da lei (as dez Palavras), a narrativa revela que o mesmo povo que havia aceito o compromisso de submissão e obediência, se envolveu num episódio de idolatria (Êxodo 32).
      • A boa notícia é que aquilo que Deus ordena que façamos, Ele nos capacita para que possamos realizar.
  • O profeta Ezequiel revela e resumo o processo realizado por Deus na vida daqueles que, pela fé, se entregam ao plano de transformação humana empreendido por Deus.
    • O profeta destaca que, ao aceitarmos participar da aliança com o Senhor é Ele, e não nós, que "operamos" a transformação e capacitação para viver como  Ele deseja.
      • Ezequiel 36:26 e 27 afirma que é Ele quem:
        1. Dá um novo coração;
        2. Tira o coração de pedra;
        3. Põem dentro de nós o Espírito Santo;
        4. Faz andar nos Seus estatutos e;
        5. Guardar e Observar o Seus juízos.
          • Isso revela que no processo de transformação operado em nós ao acertarmos fazer parte da aliança de Deus por meio da fé em Jesus e o batismo nas águas. Não somos nós que temos a responsabilidade de "operar" o transplante de coração, mas sim Deus.
            • Como declarou Arão no episódio do bezerro de ouro "tu sabes que o povo é propenso para o mal" (Êxodo 32:22); e Josué por ocasião da consagração do povo "Vocês não tem condições de servir ao Senhor" (Josué 24:19). De fato não somos aptos nem capazes de viver, por nós mesmos, a altura do que o Senhor deseja. Contudo, se aceitarmos o compromisso e permitirmos que Ele "opere" em nós, certamente seremos mais que vencedores, mediante a fé, em Cristo Jesus.
              • Nossa parte no processo é "aceitar".
              • A parte de Deus é transformar e capacitar.

D. No meio de Seu povo - A bíblia revela o Senhor como um ser criador, que nos trouxe a existência a fim de poder se relacionar com a humanidade.
  • Assim, tão logo a revelação, em Gênesis 1:1, no apresenta um Deus Criador, ela também, nos apresenta um Deus relacional.
    • Esse Ser relacional revela que deseja estar com a humanidade:
      1. No jardim;
      2. No sábado e;
      3. No deserto.
  • A fim de que seu plano fosse implementado, Ele solicita ao povo que construam um santuário, o Tabernáculo no deserto (Êxodo 25:8).
    • O tabernáculo teria funções específicas das quais destaca-se:
      1. Oportunizar a presença de Deus;
      2. Ensinar ao povo como viver a vontade de Deus e;
      3. Ensinar ao povo como o Senhor lida com o problema do pecado e oferece perdão.
    • Este local, deveria ser construído conforme o "modelo" mostrado á Moisés, de modo que fosse a cópia ou representação do original que existe no céu.
      • De modo que a vontade de Deus fosse realizada na Terra, assim como o é realizada no céu (cf. Mateus 6:10).

E. Cheios do Espírito de Deus -  a fim de que a obra de construção do tabernáculo pudesse ser levada a cabo, o Senhor mesmo chamou e capacitou aqueles que desejaram servir em Sua obra.
  • Êxodo 31:1 a 3 é a primeira evidencia de que quando Deus chama, Ele também capacita.
  • A capacitação de Bezalel foi realizada pela presença do Espírito Santo em sua vida.
    • Segundo texto o servo de Deus foi preenchido (cheio) do Espírito Santo.
      • Esse preenchimento representa a ação divina de oferecer ao ser humano capacitação (habilidade, entendimento e conhecimento) para o trabalho a ser realizado.
Destaque:
A. Embora Deus soubesse que o povo de Israel (e mesmo nós se estivéssemos na mesma posição), não teriam condições de viver em conformidade completa com a lei, ainda assim Ele os aceitou em sua aliança. Isso revela, em primeiro lugar, a graça amorosa de Deus. Em seu amor e graça o Senhor escolheu este povo. Não de modo exclusivo e único, mas de um modo amorosa para dar início a transformação de toda a humanidade por meio deles. E, em segundo lugar, revela a provisão de poder disponibilizado pelo Senhor. No intuito de iniciar o processo de transformação da humanidade por meio de Israel, o Senhor proveu os meios para que o povo alcançasse a transformação deseja. Esse poder estava disponível por meio da ação do Espírito Santo na vida e, dá fé na pessoa de Cristo Jesus. Caso o povo optasse por participar do compromisso de obediência da aliança, o Senhor operaria neles e por meio deles.

Aplicação:
A. Levando em consideração o privilégio estendido aos lideres de Israel ao serem convidados por Deus para uma refeição (Êxodo 24:11) e, considerando que, Apocalipse 3:20, revela que Jesus deseja fazer o mesmo conosco hoje, podemos compreender que assim como, no passado, o Senhor desejava comunhão e compromisso com seu povo, demonstrado por meio da refeição. Hoje, do mesmo modo, estamos sendo convidados a um relacionamento de comunhão e compromisso com Cristo, uma vez que Ele está a porta e bate. Caso desejarmos ter relacionamento com Ele, Ele entrará e ceara conosco. 

Pr. Vítor de Oliveira Ribeiro - Jaíba - MMN - USeB

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A equidade de Deus - Meditação

Sede imitadores meus - Meditação - Mordomia Cristã

A lã e o orvalho - Meditação